Chicago – Com uma vitória indiscutível, tanto no voto popular, quanto no número de delegados, o senador Barack Hussein Obama, foi eleito nesta terça-feira (04/11), o 44º Presidente dos EUA, tornando-se o primeiro negro a chegar à Casa Branca.
Só para se ter uma idéia do que isso significa, quando Obama nasceu há 47 anos, no Honolulu, Estado do Hawaí, filho de pai negro nascido no Quênia (Barack Obama, economista) e de mãe branca americana (Ann Dunham, antropóloga) ainda vigorava nos EUA o sistema de segregação racial que proibia negros de freqüentarem os mesmos lugares dos brancos e até de votar em muitos Estados. O regime de segregação acabou a apenas 44 anos nos EUA.
A eleição também marcou um record histórico – 66% dos 153,1 milhões de eleitores registrados votaram este ano,a maior taxa de participação deste 1.908, segundo o site Real Clear Politics, quando haviam restrições ao direito de voto para negros e mulheres, por exemplo. Na disputa entre Nixon e Kennedy, em 1.960, por exemplo, 64,9% das pessoas foram às urnas. O voto nos EUA é facultativo.
Vitória esmagadora
Para se tornar presidente, no complexo e complicado sistema eleitoral americano, Obama precisava de apenas 270 votos no Colégio Eleitoral, marca superada por ampla margem, ao obter no total ao menos 342 votos, contra 143 do adversário, o senador republicano John McCain.
No sistema eleitoral indireto dos americanos, a votação popular deve ser confirmada pelos representantes do colégio eleitoral – 538 divididos pelos Estados de acordo com sua população.
Obama entra para a história presidencial americana ao lado Ronald Reagan (1981-1989) e com Franklin D. Roosevelt (1933-1945), como um dos poucos presidentes a conseguir um “landslide”, um termo que significa algo como “ganhar por goleada”.
Alem de vencer, Obama redesenhou o mapa eleitoral americano, ganhando em Estados em que os democratas havia séculos não eram vitoriosos. É o caso da Virgínia, por exemplo, em que ganhou por 51,8% a 47,3%. Na Virgínia, os republicanos ganharam todas as disputas nos últimos 40 anos e que era vista por analistas como a prova definitiva da vitória democrata nas urnas desta terça-feira.
Sinais da vitória
Os primeiros sinais da vitória de Obama, ocorreram com a vitória na Pensilvânia, estado de maioria branca, em que McCain estava aparecia na frente em toda a campanha. No final, o senador democrata levou 54,6% das intenções de voto contra 44,3%. McCain reconheceu a derrota por volta das 2h30 da madrugada em uma manifestação que havia sido convocada por seus partidários para esperar o resultado.
Obama ganhou ainda em Ohio, Estado sem o qual nenhum republicano foi eleito presidente em toda a história do país, por 51,2% contra 47,2% de McCain. A vitória no Estado foi impulsionada pelo apoio conquistado entre os operários e pela imagem de candidato mais capaz a resolver a crise financeira nos EUA – motivo aliás apontada como central à sua vitória nacional.
Além de vencer, Obama assume a Casa Branca em 20 de janeiro com uma maioria folgada, obtida pelo Partido Democrata, que passará a controlar o Congresso.
Os democratas levaram pelo menos cinco novos senadores que antes eram ocupadas por republicanos, aumentando a maioria do partido na casa para 54 contra 40 republicanos. Na Câmara, eles já ultrapassaram a maioria de 235 cadeiras que já ocupavam, enquanto as projeções continuam sendo realizadas.

Da Redacao