Brasília – Numa cerimônia que reuniu cerca de 300 pessoas – entre as quais representantes de delegações estrangeiras – o primeiro ministro negro da história do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 58 anos, tomou posse nesta quinta-feira (22/11), com um discurso de pouco mais de 15 minutos e com uma constatação inevitável: no Brasil, a Justiça não dedica a todos os cidadãos o mesmo tratamento.

Depois de afirmar que há um “déficit de igualdade”, Barbosa – que se tornou o 44º Presidente do STF, sob a República – acrescentou: “É preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os cidadãos são tratados com a mesma consideração quando buscam a Justiça. O que se vê aqui e acolá é o tratamento privilegiado”, enfatizou.

Judiciário justo

Na presença da presidente Dilma Rousseff, dos presidentes do Senado e da Câmara – respectivamente os senadores José Sarney e Marco Maia – e também da mãe, dona Benedita da Silva Gomes, a quem ele se dirigiu como “querida mãezinha”, e do único filho, Felipe, Barbosa disse o que quer como chefe máximo do Poder Judiciário – um dos três Poderes da República.

“O que buscamos é um Judiciário célere, efetivo e justo. De nada vale o sofisticado sistema de informação, se a Justiça falha. Necessitamos tornar efetivo o princípio constitucional da razoável duração do processo. Se não observada estritamente e em todos os quadrantes, o Judiciário nacional, suscitará, em breve, o espantalho capaz de afugentar os investimentos que tanto necessita a economia nacional”,

 O novo presidente do STF, mineiro de Paracatu e de uma família pobre do interior que venceu pelo estudo, segundo a própria mãe, foi saudado pelo colega, ministro Luiz Fux, que citou os dois maiores ícones mundiais da luta contra o racismo e em defesa dos direitos civis – Mandela e o reverendo Martin Luther King, quando este último no discurso “I have a dream” (Eu tenho um sonho”, revelou ter  sonhado que, um dia, os homens seriam iguais, e trabalhariam e rezariam juntos. “Vê-se hoje que os sonhos não inventam. Que Deus o proteja”, finalizou.

Após a solenidade de posse o novo ministro foi homenageado, à noite, numa recepção para mais de 2 mil pessoas que só terminou na madrugada desta sexta-feira.

Foto: Assessoria de Comunicação do STF

Da Redacao