Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recebido por Dilma Rousseff na rodada de conversas da Presidente com autoridades e representantes da sociedade civil para discutir as propostas feitas para responder aos protestos que há 15 dias tomam as ruas do país, disse que a população “não aguenta mais decisões tomadas por meio de conchavos”. Ele defendeu que a influência dos partidos políticos na vida política do país deve ser “diminuida” ou “mitigada”, não “suprimida”.

"Essa parece ser uma questão chave em tudo que vem ocorrendo no Brasil. Por que uma intermediação por partidos políticos desgastados, totalmente sem credibilidade? Existem algumas democracias que permitem o voto avulso, com sucesso”, afirmou, acrescentando ser favorável a candidaturas avulsas, não vinculadas a siglas partidárias, e também que não tem interesse em ser candidato à Presidência da República nas eleições do ano que vem.

"Por que não? Já que a nossa democracia peca pela falta de identificação entre eleito e eleitor, por que não permitir que o povo escolha diretamente em quem votar? Por que uma intermediação por partidos políticos desgastados, totalmente sem credibilidade? Existem algumas democracias que permitem o voto avulso, com sucesso", disse o presidente do STF.

Grilhões partidários

"A sociedade brasileira está ansiosa de se ver livre desses grilhões partidários que pesam sobre o seu ombro. E isso é muito salutar. O que temos que ter é a consciência clara de que há necessidade no Brasil de incluir o povo nas discussões sobre reformas. O Brasil está cansado de reformas de cúpula. […] Temos sim que trazer o povo para a discussão e não continuarmos com essa tradição de conchavos de cúpula”, enfatizou".

Barbosa também defendeu o voto distrital – no qual as regiões são divididas em distritos, e os candidatos eleitos conforme os distritos que representam – e mandatos revogáveis para os eleitos – o chamado "recall", sistema em que o eleitor pode exigir que o mandato do político seja revogado se não corresponder às expectativas.

Para o presidente do STF, o sistema de representação política atual "mostra marcas profundas de esgotamento". "O que temos que ter é a consciência clara de que há necessidade no Brasil de incluir o povo nas discussões sobre reformas. O Brasil está cansado de reformas de cúpula. […] Temos sim que trazer o povo para a discussão e não continuarmos com essa tradição de conchavos de cúpula", concluiu.

 

Da Redacao