Brasília – O jornalista Ricardo Noblat (foto) está sendo denunciado pelo Ministério Público Federal pelo crime de difamação e racismo, além de ofensas a honra do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal. Afropress apurou que o ministro também não descarta a idéia de entrar com ações contra detratores que desencadearam campanha de caráter abertamente racista em represália as decisões que tomou como relator no julgamento do mensalão (Ação Penal 470).

O MPF considerou procedente a representação do ministro que se sentiu com texto publicado por Noblat no seu blog e no Jornal O Globo, no dia 19 de agosto do ano passado, quatro dias após Barbosa desentender-se em plenário com Ricardo Lewandowski, no julgamento do mensalão.

Injúria, difamação e racismo

No texto, com o título “Quem o ministro Joaquim Barbosa pensa que é?”, Noblat diz que “para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor”. “Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação”.

Noblat também escreveu que Barbosa não teria sido escolhido pelo ex-presidente Lula para o STF, não por méritos próprios, mas por sua cor, afirmação considerada difamatória e racista pelo Ministério Público Federal, para quem Noblat além de difamar e injuriar Barbosa “praticou um crime contra todos os negros do país”.

 

O processo tramitará na Justiça Federal no Rio, e o jornalista disse que só vai se manifestar quando for oficialmente notificado. Se for condenado o jornalista pode pegar de quatro meses a 10 anos de prisão, se forem somadas as penas dos crimes que o MPF julga que praticou.

À época, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (COJIRA/DF),  considerou racistas os termos com os quais Noblat se referiu ao presiente do STF.

“Noblat faz muito mais que uma simples crítica. Ao utilizar argumentos racistas, o jornalista pratica e reforça o racismo tão comum nas relações sociais no Brasil, prestando um desserviço a seus leitores e a sociedade como um todo”, dizia a Nota assinada pelos jornalistas Sionei Leão, André Ricardo e Aida Feitosa.

Foto: O Globo

Da Redacao