Brasília – Numa cerimônia para 1.500 convidados – 60 dos quais do exterior – o ministro Joaquim Gomes Barbosa torna-se nesta quinta-feira, o primeiro negro a presidir oficialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) – a mais alta Corte do país.

Barbosa, que é relator do mensalão – o maior escândalo de corrupção da  história da República – e que está na sua fase final com a definição das penas aos acusados, entre os quais a antiga cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) – tornou-se uma celebridade nacional.

Ele foi nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003 e, desde então, pelo estilo que adota, já entrou em rota de colisão e bateu boca publicamente com pelo menos três ministros do STF – Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e, por último, o revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, que agora passa a ser seu vice no STF.

Entre os convidados, além da presidente Dilma Rousseff e o presidente do Senado, José Sarney, estão celebridades como o piloto Nelson Piquet, e do mundo da música e da televisão como a apresentadora Regina Casé e os atores Lázaro Ramos e Taís Araújo.

Na cerimônia marcada para começar às 15h, não haverá a fila tradicional de cumprimentos por causa do problema na coluna com o qual o ministro convive e que o obriga a ter uma cadeira adaptada para contornar o incômodo de dores nas costas.

O ministro orientou o cerimonial de que na sessão de cumprimentos, o pano de fundo musical seja composto por clássicos da MPB e do rock nacional.

Quem é

Joaquim Barbosa é o primeiro de oito filhos de um pedreiro e de uma dona de casa, nascido em Paracatu (MG), em 07 de outubro de 1.954. Ele se mudou aos 16 anos para Brasília, onde passou a morar na casa de uma tia até terminar o curso secundário, atual ensino médio. Trabalhou como revisor em jornal e na gráfica do Senado, enquanto cursava Direito na Universidade de Brasília, onde também fez o Mestrado.

Barbosa também fez Mestrado e Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris II. É fluente em inglês, francês, alemão e espanhol.

Apesar de ser o primeiro negro a presidir a Corte, Barbosa não é o primeiro a integrar o Supremo Tribunal Federal. Antes dele, Pedro Lessa (1.907-1921) e Hermenegildo de Barros (1.919-1937) – também negros, já passaram pelo STF.

Por coincidência Barbosa, Lessa e Barros nasceram no mesmo Estado: Minas Gerais.

Foto: Folhapress

Da Redacao