A White Power (Poder Branco), que assume a autoria das ameaças, é uma facção criminosa de caráter nazi-racista, que tem entre seus princípios a defesa do neonazismo e da supremacia branca. Combate e ataca sistematicamente negros, judeus, nordestinos, latinos, ciganos, enfim, todas as pessoas que não fazem parte do seu bizarro mundo de racismo e violência.
Fotos de Hitler e da suástica são o material de propaganda mais visível da facção que opera a partir de S. Paulo e teve, nos últimos dias, três dos seus membros presos pela Polícia distribuindo cartazes em que pregam contra as ações afirmativas e as cotas: “Vestibulando branco. Hoje eles roubam sua vaga nas universidades públicas. E chamam isso de direitos iguais. Se você não agir agora, quem nos garante que eles não roubarão vagas nos concursos públicos? Devemos assegurar a existência de nossa raça e o futuro de nossas crianças brancas”.
A atitude de uma organização de caráter racista ao ameaçar nada menos que a maior autoridade policial – a Chefe da Delegacia de Crimes Raciais – que tem como função justamente o combate aos crimes dessa natureza, é mais do que aparenta: é um aberto desafio às leis e às autoridades constituídas.
E mais: sem uma atitude de firmeza de todos os que amam a liberdade, a igualdade e a democracia, e sem a punição de criminosos que andam às soltas ameaçando por quaisquer pretextos, quem não está de acordo com a sua ideologia que tantos males já causou à humanidade, caminhamos a passos muito largos para o fim do estado democrático de direito e para a barbárie.
Eis a razão do porque, da nossa parte não resta outra alternativa. É hora de dizer um Basta! É hora de exigir das autoridades responsáveis, em especial, do Secretário de Segurança Pública e do Ministro da Justiça – responsáveis, segundo a Constituição, pela manutenção da ordem e da segurança de cada cidadão brasileiro – providências imediatas.
Ambos têm ao seu dispor uma Polícia muito bem aparelhada (a de S. Paulo é mais bem aparelhada do país) e serviços sofisticados de inteligência que, se acionados, identificarão rapidamente os criminosos e os punirão na forma e com os rigores da Lei.
Nossa atitude tem a firmeza que o momento exige: a segurança pessoal e a integridade física do jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress é, a partir desse momento, de inteira responsabilidade do senhor Secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu, e do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Não vamos nos intimidar com ameaças de bandidos nazi-racistas, que querem suprimir os direitos e as liberdades fundamentais, tão duramente conquistadas na luta contra a ditadura. Mantemos à duras penas o projeto Afropress, buscando fazer um jornalismo sério, crítico, fundado nos princípios éticos fundamentais no respeito aos direitos da pessoa humana e com foco na temática racial e étnica. A Afropress existe exatamente para contrapor-se a estratégia da invisibilidade da temática racial que tem sido a regra na mídia convencional.
Somos um veículo necessário como demonstram as estatísticas de acesso que revelam um interesse crescente, não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos e países da Europa.
O silêncio e a omissão diante de criminosos que se apresentam em aberto desafio às leis do estado democrático de direito e às autoridades constituídas – significaria contribuir para um retorno ao estado de barbárie – que a civilização humana moderna há séculos superou.
Nunca é demais, à propósito, lembrar Bertold Brecht:
“Primeiro eles levaram os negros porém, para mim de nada importou porque afinal eu não era negro.
Em seguida eles levaram os judeus porém, para mim também de nada importou
porque eu não era judeu.
Depois detiveram os padres porém, como eu não era religioso isto pouco me importou.
Logo prenderam os comunistas porém, como eu não era comunista, isto também pouco me importou.
Agora estão me levando, porém já é tarde…”

Por tudo isso, jamais terão nosso silêncio. Nem rendição. Venceremos!