Atlanta/EUA – Bernice King (foto), a filha do líder do Movimento dos Direitos Civis, Martin Luther King e o ator Hill Harper, conhecido pelo personagem Sheldon Hawkes na série de televisão CSI: NY, foram as principais atrações do debate que abriu o segundo dia dos trabalhos da Conferência do Plano de Ação Brasil/EUA para a superação da discriminação racial.
A filha de King lembrou dos tempos em que os principais meios de comunicação eram panfletos. “Sempre fico imaginando quanto progresso teria ocorrido se a mídia social existisse”, afirmou, abrindo o debate mediado pela jornalista Laura Flanders, sobre o tema “Aprimorando a Diversidade na Mídia”.
Já o ator e escritor Hill Harper lembrou o efeito que tem sobre a mídia americana a presença do presidente Obama e de sua mulher, Michele Obama, na Casa Branca. Harper disse que tem o cuidado de escolher personagens para interpretar que passem alguma mensagem positiva para a afirmação da dignidade da comunidade afro-americana.
Os outros dois participantes do debate, o editor do Instituto Mídia Étnica, Paulo Rogério e a repórter da Agência Brasil, do Governo Federal, Juliana Cézar Nunes, relataram as dificuldades enfrentadas na mídia brasileira para tratar da questão racial.
Paulo Rogério, escolhido como ponto focal do Plano de Ação na última reunião em outubro, em Salvador, lembrou a frase do escritor Muniz Sodré, para quem a mídia brasileira sofre da “síndrome do vampiro”, que não consegue se olhar no espalho, ao retratar o negro.
Lembrou que apenas um 1% do conteúdo é ligado à temática negra e que menos de 2% de jornalistas nas redações são negros. “São necessárias políticas públicas para rever esse quadro”, acrescentou.
Rogério, formado em Comunicação Social pela Universidade Católica de Salvador, terminou sua intervenção – intercalada por perguntas vindas do auditório e da Bahia – pedindo que, no contexto do Plano sejam abertas linhas de apoio e financiamento da mídia com recorte racial e étnico e destacou o trabalho desenvolvido pela Afropress – Agência Afro-Étnica de Notícias e pelo Instituto Mídia Étnica.

Da Redacao