Belo Horizonte – Apesar da chuva, cerca de 250 pessoas, representando 100 terreiros da região metropolitana de Belo Horizonte, além de lideranças negras e anti-racistas compareceram ao Ato contra a Violência Policial em Terreiros de Candomblé, que aconteceu na tarde desta terça-feira (06/02), na Praça da Rodoviária, Centro de BH.
A concentração começou por volta das 15h30. Em seguida os manifestantes saíram em passeata pela Avenida Afonso Pena, terminando na Praça Sete, onde foi feito um Xirê – ritual em que uma sequência de danças é executada em homenagem a todos os Orixás.
O Ato foi um protesto pela invasão pela Polícia Militar mineira, no último dia 1º de fevereiro, da Comunidde-Terreiro Unzo Atim Nzaze Yia Omin (Terreiro da Nação Bantu de Angola), na Rua Gurutuba, bairro Santo André, sob a alegação de uma denúncia anônima de cárcere privado.
A operação, iniciada pela tenente PM Dálrea de Souza Braga, demorou cerca de uma hora. De arma em punho a tenente e os policiais que a acompanhavam – a maioria composta por negros – desacataram os Pais de Santo e ameaçaram prender os sacerdotes e as pessoas presentes. Também tiraram fotografias das dependências da comunidade.
A tropa composta por 20 policiais, todos armados, não pediu nenhuma documentação do terreiro (que está documentado e legalizado) e só se retirou quando os Pais de Santo ameaçaram chamar o CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira.
Segundo Makota Célia Gonçalves, coordenadora nacional do CENARAB, o caso já foi denunciado ao Ministério Público Estadual que pediu a abertura de inquérito e também foi levado à Corregedoria da Polícia.Também o Batalhão da PM foi notificado, bem como o Ouvidor da seppir, Luiz Fernando Martins.
Por iniciativa própria, os responsáveis pelo terreiro já descobriram que a denúncia anônima falsa foi feita pelo 190 por uma ex-adepta da comunidade, chamada Rosa, que virou evangélica de uma Igreja do ramo pentecostal.

Da Redacao