Salvador/BA – Nkosinathi é filho de Biko com Ntsiki Mashalaba, com quem casou em 1.970. Com ela, ele teve também outro filho: Samora, cujo nome homenageia o líder negro moçambicano – cuja morte também é atribuída ao regime do Apartheid em circunstâncias até hoje não esclarecidas: Samora Machel.
Steve Biko foi um dos fundadores do Movimento Consciência Negra e costumava dizer que “a arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido”.
Em1972, fundou a Convenção do Povo Negro (Black People’s Convention), sendo eleito seu presidente honorário. O ano de 1.972 também marca sua expulsão da Universidade e o início do trabalho em programas para a comunidade negra (Black Community Programs – BCP), com a construção de clínicas, creches e apoio aos trabalhadores negros.
Em março de 1973 foi “banido” e proibido de sair da cidade de King William. A pena de “banimento” imposta pelo regime implicava em não poder se comunicar com mais de uma pessoa de cada vez, desde que não fosse da sua família, e não podia publicar nada, os seus escritos anteriores não podiam ser divulgados nem citados. Em 1.975, o ativista criou um Fundo de Apoio aos Presos Políticos e às suas famílias.
Alvo de uma perseguição implacável e sem tréguas, em 18 de Agosto de 1977, Biko foi preso juntamente com o seu companheiro Peter Cyril Jones, ambos acusados de desobediência às leis do apartheid. Foi barbaramente torturado na prisão em Port Elizabeth, o que lhe provocou uma hemorragia cerebral. Em 11 de setembro, foi transportado para a prisão central de Pretória, onde morreu no dia 12 de setembro.
O governo do apartheid, primeiro afirmou que Biko tinha morrido devido a uma greve de fome. Posteriormente, diante da gravidade das lesões, afirmou que o ativista tentara se suicidar batendo com a cabeça nas grades da cela.
Verdade e Conciliação
A Comissão de Verdade e Reconciliação criada após o fim do apartheid, não perdoou os seus assassinos. Mas, em Outubro de 2003, o Ministério Público da África do Sul anunciou que os cinco policiais acusados do crime não seriam processados por falta de provas.
A morte de Biko provocou uma onda de revolta em todo o mundo e o seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas, inclusive embaixadores estrangeiros.
Sua vida, luta e morte tornaram-se amplamente conhecidos pelo trabalho desenvolvido por Donald Woods, um seu amigo jornalista branco, que fotografou o seu cadáver com os ferimentos, e um ano depois publicou um livro, “Biko”, descrevendo sua vida e morte.
Em 1980, Peter Gabriel lançou um álbum com a canção “Biko”, que se tornou um hino mundial contra o apartheid. Em 1987, Richard Attenborough fez o filme Cry Freedom (Grito de Liberdade) sobre a vida de Biko.
Em 1997, no vigésimo aniversário da sua morte, Nelson Mandela fez o seu elogio e inaugurou uma estátua em sua memória.

Da Redacao