Campinas/SP – “Uma irresponsabilidade”. Foi como o coordenador estadual do Movimento Negro Unificado (MNU), Reginaldo Bispo, encarou a divulgação pela Comissão Executiva, por meio da Afropress, da informação sobre o custo estimado do Congresso de Negros e Negras do Brasil, organizado pelo MNU, CONEN e UNEGRO, a ser aberto no final deste mês, em Belo Horizonte.
Sem contestar uma única linha da informação veiculada, Bispo exigiu explicações: “Gostaria de saber de quem foi a ilustre idéia de divulgar um levantamento de custos em elaboração e seus prováveis financiadores”, questiona para, em seguida, acrescentar que “considera a idéia, no mínimo lamentável, para não dizer coisa pior”. “Estes valores, bem como seus financiadores não se divulga”, entrega Bispo.
A matéria de Afropress, baseada em ata da primeira reunião da Comissão Executiva e confirmada em entrevista de Edson França, dirigente nacional da UNEGRO, revela que os seus organizadores pretendem levantar R$ 3,3 milhões (R$ 3.329.730,70) junto ao Estado e empresas estatais, principalmente, para cobrir os custos do Congresso. A captação será iniciada após uma reunião com o ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Soares Dulce.
Segundo o coordenador do MNU, a matéria “contendo informações como a citação de nomes, valores e fontes comprometem seriamente a captação de recursos”. “Nenhum financiador gosta de ver seu nome veiculado assim, além do que abre polêmicas de toda ordem, dificultando a organização do Congresso”, afirma, acrescentando, sem explicar como a simples divulgação de uma informação verdadeira poderia “queimar o evento e inviabilizar sua realização”.
Bispo recomendou que na reunião da Comissão Executiva deste final de semana em BH, se discuta “seriamente este caso, bem como tomem precauções para que estas coisas não vazem”. E termina defendendo abertamente a censura. “Sensacionalismos e furos de reportagem do tipo, parecem mais uma trama contra o Congresso do que divulgação do mesmo”.
Preocupado com a repercussão, Edson França, que falou a Afropress, pediu calma a Bispo. “Não está citado o nome de nenhum financiador porque não existe até o momento nenhum financiador. As informações já foram amplamente difundidas no relatório da última reunião da Comissão Executiva, ou seja, conversaremos com o Estado, estatais, fundações internacionais etc. Por isso, tranqüilize-se. Todavia penso que futuramente teremos de divulgar”, concluiu.

Da Redacao