S. Paulo – Gestores responsáveis por políticas de promoção da igualdade racial de todo o Estado de S. Paulo foram surpreendidos nesta segunda-feira (03/03), com o anúncio da possível exoneração da professora Elisa Lucas Rodrigues da chefia da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania.

A surpresa se deve ao fato de que ainda na última sexta-feira, Elisa se reuniu com mais de 40 gestores para discutir ações e uma agenda para o primeiro semestre deste ano. Na segunda, dirigia uma reunião com lideranças para discutir o sistema de pontuação acrescida no serviço público, adotado por Lei sancionada recentemente por Alckmin, quando ela próprio foi surpreendida pelos boatos do seu afastamento.

A exoneração não saiu no Diário Oficial do Estado, porém, o chefe de gabinete da Secretaria, o coronel reformado Luiz Flaviano, já teria anunciado a pessoas próximas a saída de Elisa. Ela está há 2 anos no cargo e é responsável por ações bem avaliadas adotadas pelo Governo do Estado, como a campanha S. Paulo contra o Racismo, entre outras.

Antes de assumir a Coordenação, Elisa exerceu por dois mandatos a presidência do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo.

Sua saída teria como pano de fundo acordos de campanha assumidos pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e o deputado Campos Machado, do PTB. Ao partido de Campos, na composição da nova gestão de Alckmin, teria sido reservada a Secretaria de Justiça.

O deputado já indicou o secretário, o desembargador Aloisio de Toledo César, e cogita o lugar de Elisa para Regina Maura, mulher de um outro desembargador seu amigo.

Retrocesso

Preocupados com a interrupção das políticas que vem sendo desenvolvidas com sucesso, alguns gestores disseram a Afropress que “a saída de Elisa da Coordenação é um grande retrocesso e mais ainda em se tratando de uma barganha política”.

Elisa não quis se manifestar a respeito, mas tem dito a amigos que "é fiel a orientação política do governador, a quem o cargo pertence de fato e de direito".

Para esses gestores, que falaram a Afropress sob a condição do anonimato, a forma como as mudanças estão ocorrendo na Secretaria (alguns técnicos da equipe da Coordenação Negra ficaram sabendo das exonerações pelo Diário Oficial), "tem se caracterizado pelo desrespeito e humilhação". “O governador Alckmin sabe que a professora Elisa, além de ser uma técnica competente, tem uma enorme capacidade de diálogo com todos os setores da sociedade interessados no sucesso das políticas que o Estado vem adotando”, afirmou um deles.

Por essa razão, já foi pedida ao Secretário particular de Alckmin, Cláudio Matarazzo, uma audiência ao governador onde esperam tratar da situação da Coordenação e pedir, formalmente, que as ações desenvolvidas não sejam interrompidas. “A continuidade da professora Elisa à frente da Coordenação é a garantia que temos de que vamos continuar tendo uma pessoa dedicada e com capacidade de diálogo, independente de posições ideológicas e ou partidárias”, finalizou um desses gestores.

 

Da Redacao