Figura incontornável da cena musical mundial, particularmente na década de 1970, Marley elevou o reggae como um gênero de referência obrigatória na história da música, influenciando gerações de músicos um pouco por todo os cantos do planeta.
Dono de uma voz maravilhosa, o jamaicano compôs melodias e temas de forte compromisso político e clara mensagem social que, trinta anos depois da sua morte, continuam bem atuais num mundo carente e sedento de paz, emancipação, liberdade, igualdade, fraternidade e amor entre a família humana. Temas como “No Woman no Cry”, “Could You Be Loved”, “Get Up, Stand Up”, são alguns dos exemplos que se tornaram clássicos.
Bob Marley foi um pan-africanista através da sua música. Em “África Unite” (África te Une) prenunciou num dos trechos da canção “unite for it’s later than you think” (te une pois está mais tarde do que você pensa), o que se vem passando no continente com as intervenções imperiais na Líbia e na Costa do Marfim.
Ironicamente, goste-se ou não de Muammar Kadafi, o líder líbio foi um dos grandes precursores entusiastas do nascimento da União Africana (UA), em 2002, resgatando mesmo a ideia de uma maior integração continental através da criação dos “Estados Unidos da África”, um intento antigo que data de 1963, por ocasião da criação da extinta Organização de Unidade Africana (OUA).
A UA sofre um duro golpe com o provável afastamento abrupto de Kadafi na liderança do país africano que tinha o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), ou seja, a melhor distribuição de riqueza e melhores serviços públicos de saúde e educação.
Na “Canção da redenção” (Redemption Song), Bob Marley exortou os afrodescendentes a se emanciparem da escravidão mental. “Ninguém além de nós pode libertar nossas mentes”, elucida pedagogicamente num dos trechos da canção. Esse é talvez maior desafio e o maior legado pedagógico, consciencializador e mobilizador de toda a sua obra musical, particularmente para as novas gerações de africanos e afrodescendentes.
Nesta semana, um pouco por todo o mundo, se rende merecido tributo ao grande músico jamaicano que dedicou grande parte da sua obra musical denunciando os problemas que afetam os pobres, oprimidos e excluídos das sociedades.
Bob Marley nasceu em Nine Mile, Jamaica, a 6 de Fevereiro de 1945 e faleceu, vítima de câncer, em Miami, a 11 de Maio de 1981. A lenda permanece bem viva, tal como a sua obra musical.
O título original do artigo é “Bob Marley: a voz imortal da afrodescendência e do pan-africanismo.

Alberto Castro