Lideradas pela Casa das Mulheres Negras de Santos, dezenas de entidades estão propondo um “apagão” geral na Globo, no próximo dia 21/03. Veja a entrevista:
Afropress – Ministra como foi a reunião com a Comissão de Mulheres no dia 1º de fevereiro para protestar contra a minissérie e qual é a posição da Seppir e da ministra?
Matilde Ribeiro – A denúncia apresentada por diversas entidades de mulheres negras tem caráter legítimo, considerando caber a essas organizações e à sociedade civil a vigilância do que é produzido pelos meios de comunicação. Temos um histórico midiático no Brasil que não trabalha para a valorização da presença da população negra e das mulheres negras.
Negros e mulheres, quando aparecem nas novelas e nos programas, são estigmatizados como se só fossem trabalhadores domésticos e braçais, voltados para o crime e à violência. E nós, concordando com o teor apresentado pela sociedade civil, vivemos e sabemos que a população negra tem uma contribuição imensurável para a riqueza, cultura, ciência, enfim, em todas as pontas da vida nacional e não somente em alguma situação. Além disso, a violência sexual e de gênero é muito presente. Particularmente, a minissérie JK é uma peça de época. Vivemos, efetivamente no Brasil, o coronelismo e o uso das mulheres negras como objeto sexual. Essa é uma página da nossa história. Tenho a total certeza de isso não deve continuar fazendo parte da história.
Então ter um posicionamento crítico – este apontado pela sociedade civil – é importante para a alteração da forma como os meios de comunicação tratam essa questão. Agora, como governo, temos que respeitar a caracterização dos programas à época que retratam o contexto histórico. A motivação do movimento social trazida em torno da minissérie JK pode contribuir para o debate de que a televisão brasileira deva ser cada vez mais democrática e inclusiva.
Afropress – Que providências serão adotadas em face das reivindicações encaminhadas no documento entregue?
Matilde – As medidas que precisam ser tomadas neste caso, em nosso entendimento, devem ser o aceleramento de um diálogo entre sociedade civil e os meios de comunicação em geral. No que se refere à Rede Globo, temos canais construídos. O que nós nos comprometemos, ministra Nilcéa Freire e eu no momento em que recebemos entidades de mulheres negras, foi continuar trabalhando com a Rede Globo e outros canais para construir procedimentos e condutas que levem a esse tratamento inclusivo e democrático. Isso está na nossa agenda. Estamos tratando da matéria.