Às vésperas de mais um 21 de março, dia criado pela ONU, e celebrado em todo o mundo para lembrar e homenagear as vítimas do massacre de Sharpeville, em que 69 negros foram fuzilados, entre homens, mulheres e crianças pelo regime do Apartheid, na África do Sul, a ativista Alzira Rufino, lança mais uma produção indepedente e dá vazão a sua veia poética.
Trata-se de Bolsa Poética, a coletânea de poemas e um mini conto,com 56 páginas, e será lançado em um coquetel e tarde de autógrafos marcada para este sábado, 20 de março, às 16h30, na sede da Casa da Cultura da Mulher Negra, à Rua Professor Primo Ferreira, 22, no Boqueirão, em Santos.
“Escolhi lançar meu livro nesta data porque para nós, afrodescendentes o dia 21 é um dia de reflexão sobre a nossa condição enquanto mulheres negras sempre relegadas a segundo plano”, constata Rufino.
A intimidade da ativista com a literatura não é nova. “Sempre gostei da palavra escrita. Aos 07 anos quando uma professora me dizia para guardar as minhas composições resolvi criar um Diário. A palavra escrita é a minha arma para desafogar as minhas angústias, alegrias e desejos mais secretos. Gosto mais de compor poesias, mas também escrevo prosa, na forma de ensaios e artigos para jornais do Brasil e do exterior”, acrescenta.
Segundo ela o livro Bolsa Poética em formato de Bolsa permite que mais pessoas possam ter acesso a literatura afro. Com preço acessível a renda será revertida para manutenção dos serviços de regaste cultural da Casa de Cultura da Mulher Negra.
Data histórica
Para Alzira Rufino, relembrar o dia 21 de março é constatar que as denúncias e questionamentos do início da militância ainda são, infelizmente, atuais, e que muito pouco foram mudadas as estatísticas da população negra nas últimas décadas.
“Somos mais de 50% da população negra e não temos representação política na mesma proporção que representamos. Os partidos políticos e seus candidatos precisam concretizar seus discursos de campanhas anteriores, quando afirmavam elaborar e apoiar as políticas afirmativas em prol das mulheres negras. Sair do discurso e partir para a prática, seja nos partidos de esquerda, de direita. Entendo que a mulher negra deve estar incluída como centro das políticas de ações afirmativas para disputar cargos eletivos em nível municipal, estadual e federal”, conclui.