Munique/Alemanha – A cultura brasileira sempre foi amplamente divulgada na Europa, em suas mais diversas vertentes: música, dança, literatura, artes visuais e artes cênicas. Mas, o que muita gente não sabe é que o sucesso do Brasil nesse campo não é recente: já nas décadas de 60 e 70, haviam grupos engajados em mostrá-la no exterior.

Um desses grupos chamava-se "Brasiliana". Na época, quando o mundo ainda acreditava que a capital do Brasil era Buenos Aires, o espetáculo viajou por mais de 90 países, levando nosso folclore e tradições, nossa dança e música. 

Nesse tempo, a conexão Brasil-Europa mostrou que viria com força, pois quem fundou a Brasiliana foi o austríaco Miecio Askanasay, que vivia no Rio de Janeiro e escreveu “Alles ist Samba”, (tudo é samba).

A grande maioria dos artistas do espetáculo, cerca de 89%, eram negros, que passaram anos viajando com a Companhia. Alguns deles vivem, até hoje, em cidades alemãs (Munique e Hamburgo) e no Rio de Janeiro, onde o grupo nasceu.

A história do "Brasiliana" vai virar filme: será contada, em breve, em documentário que tem como objetivo, resgatar a memória do espetáculo. Histórias reais dos brasileiros que pertenceram ao grupo, como e quando entraram na "Brasiliana", como foram escolhidos, como foi a primeira viagem, serão retratadas no filme.

O documentário vai contar, também, quem fazia as coreografias e escolhia as canções e os músicos que participaram do grupo; quantas pessoas ao todo; anedotas e fatos importantes; personalidades que conheceram; fatos engraçados; histórias interessantes; recortes de jornais, documentos, figurinos, fotos e imagens gravadas dessas viagens.

A obra será dirigida por Ricardo Eche, brasileiro que mora na Alemanha, desde 1989, e trabalha como ator, locutor, dublador, dramaturgo e diretor de teatro e roteirista de cinema. Ele fundou o Teatro Ricardo Eche há 15 anos e apresenta peças nacionais no Teatro Brasileiro de Munique. Algumas dessas peças como “Fica Comigo Esta Noite”, “Ilustríssimo Filho da Mãe”, “Quarto de Empregada”, “Anjo Negro”, fizeram grande sucesso. O projeto iniciou-se em 2013 e, muito em breve, será divulgado, também, em todo o Brasil.

 

Por Simone Weissmann e Angélica Feliciano