Capão Redondo/SP – Se a população negra brasileira formasse um país, ele estaria na 105ª posição no ranking de países em termos de desenvolvimento humano, posição abaixo da ocupada por países como El Salvador, enquanto que o Brasil dos brancos ocuparia a 44ª posição semelhante ao do rico Kuait.
A diferença de 61 posições a menos para os negros é o que mostra o Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2.005 – Racismo, Pobreza e Violência – lançado, no bairro do Capão Redondo, em S. Paulo, sexta-feira, 18/11, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da Organização das Nações Unidas.
O Brasil unificado fica em 73ª posição, abaixo do Uruguai (40ª), Argentina (34ª) e México (54ª), em um ranking liderado pela Noruega entre 173 países. “Temos o Leste Europeu e a África”, afirmou o pesquisador José Carlos Libânio, do PNUD.
O Relatório do PNUD decreta a morte do mito da democracia racial no país. “Em todos os dados vemos que a população negra está mal. Não vamos superar a pobreza e a violência do país sem enfrentar o racismo presente na estrutura da sociedade brasileira”, afirmou Diva Moreira, editora do Estudo, elaborado com base na análise dos dados relacionados ao desenvolvimento humano, educação, saúde, violência e habitação.
De acordo com o mais recente Censo do IBGE, realizado em 2.000, 44,7% da população brasileira se auto-declara negra ou parda, percentuais que vem crescendo na medida em que as pessoas deixam de ter vergonha de assumir sua identidade negra.
Segundo o Relatório do PNUD para reduzir a diferença que separa negros e brancos no Brasil são necessárias, além de políticas universalistas (para todos) medidas pontuais como as cotas tanto no Ensino Superior quanto no mercado de trabalho. “Essas medidas devem ser temporárias, mas tem de ser tomadas. Se as coisas continuarem como estão, demoraremos mais 500 anos para haver igualdade”, afirma Libânio.

Da Redacao