Brasília – Faltando três dias, organizações do movimento negro e anti-racista se mobilizam em todo o país para ocupar Brasília na próxima quarta-feira, 16/11, na Marcha Zumbi + 10 pela Cidadania e pela Vida.
As principais lideranças da Marcha evitam fazer previsões sobre o número de participantes, mas é certo é que, pelo menos 500 ônibus chegarão à Brasília, em caravanas que estão partindo de todos os Estados do país.
O ponto de concentração será a partir das 9h, em frente à Catedral Dom Bosco, na Esplanada dos Ministérios. Trezentas cruzes serão fincadas no gramado da Esplanada simbolizando o genocídio do povo negro. Dali os manifestantes seguirão até o Palácio do Planalto, onde pretendem entregar manifesto com reivindicações ao Presidente da República e aos líderes do Congresso. O Palácio até o momento não respondeu ao pedido de audiência.
A Marcha marca os 10 anos da primeira manifestação da população negra, ocorrida em 1.995. À época manifestantes foram recebidos pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem foi entregue documento exigindo o fim do racismo e políticas afirmativas.
A Marcha deste ano se dá em um momento de crise política do Governo Lula – abalado pelos escândalos de corrupção -, e de divisão do movimento negro. Entidades como a Unegro, Conen e sindicatos vinculados a CUT, mais próximos da base governista decidiram marcar uma outra data – o 22 de novembro – para o protesto. O PT, por sua vez, por meio de seu Diretório Nacional, assumiu o patrocínio da Marcha dos seus militantes e ativistas que atuam no Movimento Negro, orientando diretórios, parlamentares e governos a contribuir com o protesto do dia 22.
Entre os principais pontos que unem os movimentos e organizações que marcharão sobre Brasília na quarta-feira, está a autonomia e a independência do movimento negro e anti-racista em relação a Governos e Partidos.
Também exigem o fim do racismo e um país justo e igualitário, com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, a titulação e regularização das terras das comunidades quilombolas (apenas três foram titulares nos últimos dois anos, num universo de mais de 4 mil), políticas que assegurem os direitos das mulheres negras, da juventude, a defesa das religiões de matriz africana, valorização das diversas expressões e manifestações culturais do povo negro brasileiro e recursos para o financiamento e execução de políticas públicas afirmativas para enfrentar os efeitos seculares da discriminação e do preconceito.

Da Redacao