Brasília – Milhares de negros e negras de todo o país, ocuparam a Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira, 16/11, na Marcha Zumbi + 10 pela Cidadania e pela Vida. Segundo o Jornal Nacional da Rede Globo, 20 mil pessoas participaram do protesto. O Jornal da Band deu 15 mil.
A Marcha, que além de ocupar a Esplanada reuniu as principais lideranças do Movimento Negro Brasileiro, começou às 9h quando caravanas começaram a se reunir em frente à Catedral de Brasília.
Às 10h30, num trio elétrico, Alzira Rufino, da Casa da Cultura da Mulher Negra de Santos, Nelson Inocêncio, do Núcleo de Estudos Afrodescendentes da UnB, e Hamilton Borges, do Movimento “Reaja ou será Morto. Reaja ou será Morta”, de Salvador, assumiram o caminhão puxando palavras de ordem, que seriam repetidas por todo o dia.
Lideranças históricas do Movimento, que estiveram na Marcha Zumbi, em 1.995, como Hédio Silva Jr., Hélio Santos, Sueli Carneiro, Maria Aparecida da Silva e João Jorge, do Olodum, falaram do significado da Marcha. “É a reafirmação da autonomia e independência da qual o Movimento Social Negro não pode abrir mão”, dizia Hédio, atual Secretário de Justiça e Defesa da Cidadania de S. Paulo. Hédio lamentava o fato de o Palácio do Planalto não ter respondido até o início da Marcha a um pedido de audiência feito há meses. “É lamentável. Espera-se do gestor público que ele pelo menos ouça a sociedade civil”, afirmou. Mais tarde o presidente e três ministros receberiam uma Comissão da Marcha (veja matéria).
Hédio chamou o protesto programado para o dia 22 e apoiado ostensivamente pelo PT de a “contra-marcha” e fazia uma previsão. “Tem grande chance de ser fraca politicamente. Eu vi esse mesmo tipo de expediente em 1.995. Sãos os mesmos e a mesma forma que arrumaram para tentar dividir, enfraquecer. Esse pessoal que a está organizando tem a marca histórica da fraqueza”.
Hélio Santos lembrava que a Marcha é herança de Palmares. “Eu vejo uma trajetória palmarina. Somos o movimento social mais antigo do Brasil. Estamos dando uma demonstração no sentido de mudar o país”, afirmou.
Já o presidente do Grupo Olodum, João Jorge, disse que a Marcha quer uma agenda positiva para o país. Segundo João Jorge, o Brasil deve renunciar a pretensão de ter lugar no Conselho de Segurança da ONU. “Nós vamos dizer hoje ao Presidente da República que ele é presidente de um país que não é civilizado e deve renunciar a pretensão de um lugar no Conselho de Segurança da ONU. Como explicar essa pretensão se o país continua ignorando e maltratando sua população negra?”, afirmou.
Um dos momentos mais emocionantes da Marcha foi quando a historiadora Vânia Santana, do alto do caminhão de som, em frente ao Ministério da Fazenda, ao falar da resistência da Fazenda em aprovar o Estatuto da Igualdade Racial com o Fundo, acusou a elite brasileira de incompetente: “Vocês não vão conseguir manter essas fronteiras, pois não tem habilidade, não tem competência para fazer desse país um país soberano. Nós somos o povo do trabalho. Nós botamos essa colônia no topo e agora somos descartáveis”, afirmou.

Da Redacao