Salvador – Foi enterrado neste domingo (06/10) no cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, o corpo do artista plástico, escritor, ensaísta e líder espiritual nagô Deoscóredes Maximiliano dos Santos, conhecido como Mestre Didi. O artista e sacerdote ganhou fama por representar elementos da cultura negra brasileira nas suas obras, como os orixás e os exus, temas sempre presentes nas suas esculturas. Tinha 95 anos e morreu vítima de câncer.

Mestre Didi era filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, também chamada de Mãe Senhora – uma das principais Mãe de Santo do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Em 1.995, ele recebeu o título de alaipini, título máximo da hierarquia sacerdotal nagô.

Casado com a antropóloga argentina Juana Elbein dos Santos, que o definia como “sacerdote-artista”, ele deixa uma filha, a cantora Inaicyra Falcão dos Santos.

O diretor e criador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, falou sobre a perda do Mestre Didi. “Estive com o Mestre Didi há três dias, ele estava acamado. Ele foi um personagem importante na Bahia, um catalisador do culto aos ancestrais, sendo filho de uma das maiores ialorixás da Bahia, a Mãe Senhora. Era um homem de grande interesse nesse universo afro-brasileiro. Foi um homem extraordinário. É uma perda irreparável, porque sem ele a religião afro-brasileira fica mais empobrecida. Como artista, ele foi muito longe, participou até da mostra '"magiciens de la Terre" no Pompidou. Ele ganhou prestígio nacional com suas obras. Temos 40 obras dele no acervo do Museu Afro Brasil e pretendo fazer uma grande mostra em homenagem a ele. Ele foi o princípio de uma nova linguagem brasileira com profundas raízes africanas", afirmou.

Da Redacao