Dresden/Alemanha – A sambista brasileira e produtora de eventos Denise Souza, conhecida como Denise Chocobom, vítima de violência sexual e racismo durante o carnaval de Dresden, cidade de 500 mil habitantes, capital da Saxônia, disse que os organizadores do evento no qual foi atacada resolveram transformá-la de vítima a responsável pelo crime. Segundo ela, o caso está sendo investigado pela Polícia.

“O que me aborrece é que organizadores do carnaval em Radeburg, para nao queimarem o filme do evento resolveram me transformar de vítima a criminosa. Escrevem que eu estava bêbada e drogada e que eu iniciei uma briga porque depois do desfile eu cismei de exigir cachê. Todas essas calúnias podem prejudicar meu trabalho. Eu sou conhecida e respeitada pelo meu trabalho muito limpo, e todos meus amigos e clientes sabem que eu sequer bebo álcool, imagine então se usaria drogas”, afirmou.

A brasileira, que é fundadora da Escola de Samba Leões, de Dresden, foi agredida por membros do grupo carnavalesco pelo qual desfilou, no domingo de carnaval. “Por não aceitar ser mercadoria deles, três homens, membros da associação carnavalesca para a qual eu desfilei, empresários conhecidos e poderosos no país, me agrediram fisicamente”, contou.

Justiça

Denise já procurou advogados e os orientou a entrarem com processo contra os acusadores por calúnia e difamação. Segundo Simone Weissmann, também brasileira que reside há cerca de 20 anos, em Munique, e que acompanha o caso, Denise também foi orientada a procurar o Consulado brasileiro em Dresden ou mesmo a Embaixada naquele país para relatar o que ocorre.

"Físicamente eu já estou bem, já voltei a trabalhar. Mas psicólogicamente eu não ando nada legal. Estou com síndrome de pânico, ando grudada no meu spray de pimenta, cismo com a cara de todo mundo na rua. Daí surge outro problema: nenhum psicólogo me aceita como paciente por causa do meu "gebrochen Deutsch" [o característico sotaque alemão]. Meu alemão é ruim porque eu nunca frequentei escola de alemão, mas eu sou empresária há 13 anos na Alemanha, sem marido, sem sócio. Eu me faço entender muito bem”, conta.

Segundo ela, outros brasileiros, tem encontrado o mesmo problema. “Outra brasileira que conheço, já teve o mesmo problema. Foi procurar psicólogo e voltou do consultório arrasada pela arrogância da profissional que disse não aceitar como paciente por causa do alemão que ela fala. Ela fez todo o curso de alemão e fala perfeitamente, exceto pelo sotaque. Aqui na Saxônia o racismo chega ser doentio. O povo está disposto até a abrir mão de clientes, só por racismo. Eu luto contra o desânimo, contra meus traumas e continuo falando e provocando. Isso não pode continuar assim, esse povo vai ter que se mancar”, concluiu.

Da Redacao