Os avanços estão acontecendo, embora não com a intensidade necessária para quebrar o legado nefasto de 400 anos de escravidão. A luta pela inclusão é árdua e desafia todos que apostam numa sociedade mais justa e fraterna. Conceitos e imaginários negativos foram construídos desde o Brasil Colônia, nos quais índios, negros e mulheres eram vistos como seres inferiores. Infelizmente, esta prática  excludente foi perpetuada por uma historiografia oficial que soterrou nos porões da memória nacional os que ousaram desafiar e lutar contra a exploração e a manipulação do poder nitidamente branco e abastado.

Embalados pelo mito da Democracia Racial e do slogam “Pra Frente Brasil”, vivenciamos duas ditaduras e uma luta em prol de abertura política, nos anos 80, depois de 21 anos de mordaça. Felizmente, esta invisibilidade proposital, criada pelas oligarquias, está sendo recuperada por pesquisadores, historiadores, antropólogos sociólogos, entre outros profissionais, que, atualmente, têm acesso à pesquisa documental, desmitificando fatos históricos e personagens construídos para legitimar interesses elitistas.

Graças a isso, este rastreamento do passado, com olhar crítico e científico, resulta em publicações ou seminários que trazem a público uma história desconhecida pela maioria dos brasileiros, pois esta galeria de heróis retumbantes, perfeitos e sem falhas humanas, divulgada nas redes de ensino deste país, constituiu-se numa falácia durante muito tempo.

Este é um aspecto positivo de retomada e análise da formação do nosso país pontuado pela diversidade cultural de vários Brasis que o tornam tão plural e fascinante, ainda que vivenciemos tantas mazelas sociais , políticas e econômicas.

Que venha 2016, encontrando-nos mais fortes e perseverantes nessa luta por um país mais justo e com menos desigualdades. Lembrando o slogam do primeiro Forum Social Mundial, em minha querida Porto Alegre: “ Um outro mundo é possível”.

Feliz 2016 !  Votos de sucesso e realizações, especialmente para essa tribuna que foi criada em defesa da cidadania, cujo nome é uma referência de qualidade e profissionalismo nos meios de comunicação. O nome ao qual me refiro – todos já sabem – é Afropress. 

Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite