S. Paulo – O Centro Acadêmico Jarbas Nascimento da Universidade Zumbi dos Palmares, no bairro da Luz, elege nesta quinta-feira (09/11) o seu novo presidente para o período 2.007/2009. Os cerca de 800 estudantes com direito a voto poderão votar no período entre as 19h e 21 horas em duas chapas – a Frente Negra e a Chapativa – e eleger o sucessor do estudante João Bosco Coelho, que foi o primeiro presidente do Centro Acadêmico.
O candidato à presidente da Frente Negra, Haroldo Nascimento, 22 anos, paulistano do Capão Redondo, Zona sul, aluno do 2º ano do Curso de Administração de empresas com ênfase em Comercio Exterior, falou à Afropress sobre o significado das eleições e o que propõe a Frente Negra que lidera.
Afropress – Quais são as principais propostas da chapa?
Haroldo – Agente quer resgatar a importância da Frente Negra Brasileira (organização que funcionou como Partido político negro até ser fechada pelo Estado Novo em 1.937). Vamos ter uma atuação forte na área da cultura, do esporte. A idéia também é termos uma forte participação política nas entidades centrais dos estudantes como a UEE e a UNE. Também queremos ter uma atuação grande no movimento social, estimulando a juventude negra a ter uma maior participação.
Afropress – A Universidade Zumbi dos Palmares é, seguramente, a instituição com mais negros e negras no Brasil. Como é que você analisa o nível de consciência dos alunos?
Haroldo – Está começando. Alguns já tem um nível grande de informação e de conhecimento. Outros tem muita vontade de se articular. Nossa idéia é facilitar as condições para que todos passem a ter uma maior capacidade de se articular e participar politicamente.
Afropress – Quais são os principais problemas que a chapa pretende enfrentar no interior da Zumbi dos Palmares?
Haroldo – Nós temos problemas na avaliação e contratação de professores. Queremos melhorar a qualidade de ensino. Também queremos resolver o problema da falta de livros na biblioteca. Vamos trabalhar para criar alternativas nesse sentido. Queremos uma maior participação dos alunos na tomada de decisão, em especial, nas questões pedagógicas.
Afropress – Como você, que pertence a nova geração do movimento negro de S. Paulo, analisa a situação do movimento negro no país?
Haroldo – Nós, da Frente Negra, queremos tomar conhecimento dos movimentos negros existentes, conhecer os processos de discussão, a história. Como é que se deram as coisas nestes últimos anos para, a partir daí, pensar em outras perspectivas. Queremos levar às discussões para os jovens na periferia. Essa é uma prioridade.
Afropress – Como é que a chapa e você, particularmente, que está atuando no Movimento Brasil Afirmativo, vêem a questão da independência e autonomia do movimento negro em relação aos partidos e ao Estado?
Haroldo – Nós somos totalmente favoráveis a que o Movimento negro seja autônomo e independente. Claro que as pessoas podem atuar, devem atuar e até se filiar nos partidos, mas que a agenda do Movimento Negro nunca esteja subordinada aos partidos e as Ongs, que muitas vezes se pautam por outros interesses.

Da Redacao