“É um volume para ser lido atento e comovido”. Assim escreve o ganhador do Prêmio Jabuti – Contos deste ano, Marcelino Freire, acerca de “Cada tridente em seu lugar e outras crônicas”, primeiro livro em que Cidinha da Silva figura como escritora de um gênero literário. Marcelino Freire, autor da orelha do livro, é presença confirmada na sessão de autógrafos que será promovida pela escritora no dia 10 de outubro na ONG Ação Educativa em São Paulo.
Nascida em Belo Horizonte e moradora de São Paulo há 15 anos, Cidinha da Silva, 39, é fundadora do Instituto Kuanza – que trabalha com formação, intervenção e pesquisa em educação, raça, gênero e juventude – e autora de diversos artigos e ensaios sobre relações raciais e de gênero, publicados no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Itália.
Organizadora do livro Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras (Selo Negro Edições/Summus Editorial, 2003), a historiadora dá agora vazão à escritora, nas palavras de Marcelino Freire, sem perder o humor e a ironia.
“Para bem falar de Exu – não seria louca de falar mal – é preciso ser iniciada, saber segredos que como tais não devem ser revelados. Então, caro leitor, sinto-me mais à vontade para mexer com o tridente de Netuno (patrimônio cultural da humanidade que a mim também pertence) e, mineiramente, deixo quieto o tridente de Exu”.
O excerto acima integra a crônica que dá nome ao livro, lançado nacionalmente na II CIAD – Conferência de Intelectuais Africanos e da Diáspora, ocorrida em Salvador, em julho deste ano. Dividido em três partes, o livro abre com Exu. Na primeira, Cidinha pede licença aos ancestrais e dialoga com a sabedoria dos mais velhos. Na segunda parte, está presente a relação com as subjetividades (gênero, sexualidade, relações intergeracionais, identidades regionais e globalizadas) e, na terceira, apresenta seus escritos sobre as relações raciais, não apenas entre negros e brancos, mas da perspectiva de mulher negra que é, em textos que apontam para questões como orientação sexual e sexismo.
Foi em um contexto de livros emprestados de bibliotecas que ela teve a sua trajetória marcada por textos de Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado, Paulo Mendes Campos, Edimilson de Almeida Pereira, Fernando Sabino, Rubem Braga, Lima Barreto… Além de escritoras que, como Cidinha, escrevem da perspectiva de mulheres negras que são. É o caso da conterrânea Leda Martins, de Mirian Alves, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Audre Lorde (sem tradução no Brasil), Toni Morrison, Bell Hooks, Alice Walker e Paulina Chiziane.
As 30 crônicas publicadas em “Cada tridente…” somam textos inéditos a outros já publicados. Entre os veículos por onde já circularam as crônicas de Cidinha estão o jornal Irohin (do qual é colunista), os boletins eletrônicos do Instituto Kuanza, as revistas Toques d’Angola e Palmares e websites, como Afropress e Viva Favela.
Na opinião de Ferréz, publicada no blog do escritor de Capão Redondo, “são contos e crônicas tão gostosos de ler, que dá raiva o livro só ter 136 páginas”.
“Cada Tridente em Seu Lugar” é uma publicação do Instituto Kuanza.
ONDE ENCONTRAR:
Em São Paulo, o livro está à venda no Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1475), no Espaço Satirus (Praça Roosevelt) e no Arsenal do Livro (Rua Matias Aires, 78).
NOITE DE AUTÓGRAFOS EM SÃO PAULO:
10 de outubro, terça-feira, às 19 horas na ONG Ação Educativa (Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque. Telefone: 3151-2333). O livro custa R$15,00.
DATAS PARA DEMAIS LANÇAMENTOS:
Campo Grande, MS – 26 de setembro
Dourados, MS – 27 de setembro
São Paulo – 10 de outubro
Porto alegre – 02 de novembro (Feira do livro)
João Pessoa – 10 de novembro
Recife – 11 de novembro
Rio de Janeiro – 18 de novembro
Belo Horizonte – 22 de novembro
CONTATOS COM A ESCRITORA:
[email protected]
Texto da jornalista Liliane Braga