Fortaleza/Ceará – A professora Cristiane Gomes, do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão, defende nesta segunda-feira (04/11), na Universidade Estadual do Ceará (UECE) dissertação de mestrado do Curso de Gestão de Negócios Turísticos sobre as caixeiras da Festa do Divino de Alcântara, no Maranhão.

As caixeiras são sacerdotisas, mulheres pobres negras, que vivem nos quilombos da região – em especial no quilombo de Alcântara – e que dedicam suas vidas a louvar o Divino. (Veja o vídeo http://www.dailymotion.com/video/xjoktz_caixeiras-da-casa-fanti-ashanti_tv)

Este legado cultural, segundo a pesquisadora, está ameaçado porque as mulheres precisam se ausentar por pelo menos 15 dias durante os festejos para pedir esmolas, acompanhando todo o ritual da Festa. “O repertorio mântrico se perde com a morte de alguma delas, pois os versos são criados de improviso, o que impossibilita o arquivo dos mesmos”, afirma.

Sem a presença dessas mulheres a Festa do Divino em Alcântara, que é uma trazida da Ilha dos Açores (Portugal), – corre o risco de acabar porque não há quem as substitua. A Festa já foi tema de várias dissertações de mestrado, mas o estudo especificamente sobre o papel das caixeiras é inédito, de acordo com a pesquisadora.

Tradição

Cristiane se interessou por essa tradição há alguns anos quando passou a acompanhar a Festa. Ela disse ter ficado apaixonada pelo sincretismo e singularidade das caixeiras. Foi daí que surgiu a ideia da dissertação, que tem como orientadora a professora Luzia Neide Coriolano, geógrafa da Universidade.

Segundo Cristiane, a caixeira mais velha tem 82 anos e há o risco de se perder a tradição e o legado cultural. Apenas em Alcântara a tradição das caixeiras que só entoam cânticos para louvação ao Divino, se mantém viva, segundo ela. 

“Nas demais cidades do Estado elas também tocam as caixas nos terreiros de mina, mas Alcântara é a única cidade, onde há registro da existência de caixeiras que só entoamm os seus cânticos para louvação ao Divino. É fato que esse grupo não está tendo a devida importância, a raridade e especificidade do trabalho que realizam essas senhoras de Alcântara. É necessário que se faça uma intervenção pública para preparação de novas caixeiras afim de que esse legado cultural seja valorizado e perpetuado na práticas festivas locais e intensificadas para o turismo. Não existe Festa do Divino sem caixeiras”, conclui.

Crédito do vídeo gentilmente cedido para postagem em Afropress: Sandro Cajé e Gereba Barreto

 

Da Redação