Capixabas, queremos respeito!!!

O que exigimos é Respeito!!! Esse ato tão simples que numa sociedade oligárquica, autoritária e hierárquica como a brasileira parece impossível!  Aqui, as vítimas de atos degradantes e humilhantes precisam, absurdamente, explicar porque não deveriam ser tratadas dessa maneira.

Aqui, ao invés de discutirmos a irracionalidade e ilegalidade desses atos, parte da sociedade se paralisa na discussão da qualidade social e moral das vítimas. Infelizmente, a ideia de que alguns merecem mais respeito do que os outros  têm uma força social sem precedente na vida social brasileira.

Assim, a simples suspeita de que a vítima tenha um comportamento ou estilo de vida inadequado (ou ficha criminal!) aos padrões ditos “normais” legitima o desrespeito que sofreu. De vítima ela acaba se transformando em algoz, acaba sendo responsabilizada pelos atos que sofreu. É isso o que aconteceu com os jovens capixabas no dia 29/11/2013 no shopping Vitória ao tentarem se refugiar em suas dependências.

Imediatamente, associados a jovens suspeitos (nota-se negros, funkeiros e moradores de periferia)  e acusados de praticarem arrastão, para o desespero e pânico dos consumidores, legitimando, com aplausos da multidão que assistia, os atos de humilhação e degradação desferidos pela Força Policial( sentados no chão, sem camisa e conduzidos para fora do Shopping em fila indiana).

Para consolidar mais o reconhecimento desses jovens como não merecedores de respeito afirmava-se, através da imprensa, que participavam de um baile ilegal de funk, dança, também, malvista e identificada como estilo musical de marginais. Assim, as vítimas que nem foram ouvidas pela imprensa, apenas transformaram-se em imagens não do racismo, para olhar da mídia hegemônica e de alguns agentes públicos, mas da eficiência das forças de segurança público em resguardar a ordem e tranquilidade “pública” dos espaços sociais do poder.   Como uma espécie de propaganda pública e privada dizendo: O shopping Vitória é um lugar seguro! O que significa dizer, em grosso modo, nele corpos indesejados são imediatamente retirados!

Não importa quem foram às vítimas, qual estilo de vida e musical, mas sim que foram desrespeitadas, devemos condenar o procedimento, o tratamento diferenciado acionado pela autoridades públicas. Nada pode justificar tamanha humilhação, não se pode aceitar o uso da retórica da precaução, do medo ou da suspeita, que reatualizam práticas fascistas e racistas, para justificar a aviltamento os direitos fundamentais dos cidadãos negros, periféricos, pobres. 

Cenas trágicas do dia 29/11/2013 no Shopping Vitória chamam um só grito: Respeito! Respeito! Respeito! Somos Gente!!! E denunciam o quanto a sociedade brasileira ainda é marcada pela desigualdade no acesso ( e reconhecimento) aos direitos civis e aos serviços de segurança pública!

 

 

Igor Vitorino da Silva