quando a data do dia 16 já circulava amplamente pelo país apenas com o objetivo de confundir a militância e impedir uma manifestação independente dos que jogam suas energias na luta contra o racismo e não se deixam atrelar a projetos partidários.
A opinião é do coordenador editorial e dirigente do Jornal Irohin (A Notícia, em Ioruba), Edson Cardoso, ao comentar as articulações feitas por entidades como a União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Movimento Negro Unificado (MNU) e setores sindicais ligados a CUT – Central Única dos Trabalhadores, propondo a realização da Marcha Zumbi + 10 no dia 22 de novembro.
Na semana passada, falando por essas entidades e como membro do Comitê Impulsor da Marcha, Edson França acusou Cardoso de “personalismo” e de ter apoio da Fundação Ford que, segundo ele, estaria patrocinando uma ação política.
Dois dias depois, GELEDÉS – Organização de Mulheres Negras, entidade de S. Paulo, que apóia a Marcha, manifestou estranheza com o posicionamento do dirigente, lembrando que a UNEGRO também recebe recursos de organismos internacionais, como a Fundação Interamericana (IAF), instituição ligada ao Governo norte-americano que, no ano de 2.001, doou um total de US$ 182.000 por dois anos para projetos.
Para o ativista Edson Cardoso, que participou da Organização da Marcha em 1.995, as acusações partem de setores negros subordinados a partidos ditos de esquerda e alguns indivíduos de atuação periférica no movimento sindical; “Utilizando mecanismo já bastante estudando na literatura especializada, esses setores estão transferindo para o Movimento Negro acusações que temem fazer a suas executivas e comitês centrais, de utilização espúria de recursos e de corrupção, buscando tirar a legitimidade da Marcha Zumbi + 10, que ocorrerá em Brasília, no dia 16 de novembro de 2005” – afirmou.
Segundo Cardoso, a data de 22 é uma contraproposta vinda da base governista; “Entendo mesmo que a contraproposta deveria ser antecipada para o mês de agosto, pela sua natureza intrínseca de “protesto a favor”. Vinte e dois de agosto passou em branco, mas muitos dos defensores da contraproposta foram vistos desfilando subserviência e servilismo nas ruas de algumas capitais. É para esse abismo de indignidade que querem arrastar o Movimento Negro”, ironizou.
Para Cardoso a “hora é dos partidos falarem fino”. “Eu disse isso ao dirigente da UNEGRO/PC do B, na reunião do 16 de novembro e ele afinou. Concordou que o problema não era a data e que poderíamos construir a unidade no dia 16. O que ocorreu depois, que o obrigou a desdizer o dito, quem deve explicar não sou eu”, acrescenta.
O coordenador do Irohin rechaçou a acusação de personalismo. “Eu não tenho um projeto personalístico, eu tenho personalidade, que é outra coisa”.
“O êxito do jornal Irohin, um pequeno projeto financiado pela Fundação Ford, os incomoda de maneira especial. Trata-se de circulação de informação e opinião independente de negras e negros, atingindo em um ano a marca de 10.000.000 exemplares, com 4.000 assinantes em todo o Brasil. Nosso projeto é chegar às bancas de todo o país em 2007”, afirmou.
Segundo Cardoso, a solicitação de recursos para a Marcha Zumbi + 10 foi uma decisão da reunião realizada em Brasília nos dias 13 e 14 de agosto e que reuniu entidades e organizações de 12 Estados. “Tudo foi feito com absoluta transparência, solicitações de ajuda material para deslocamentos e comunicação a diversos pequenos fundos de ajuda tradicional ao movimento social brasileiro. Ainda aguardamos as respostas que serão tornadas públicas.”, frisou.
Ele disse está otimista quanto ao sucesso da Marcha e mandou um recado aos que, segundo afirmou, estariam utilizando a calúnia e a difamação para desqualificar a proposta que defende. “Antes que eu me esqueça, as calúnias e as difamações serão tratadas adequadamente, segundo a legislação”, afirmou.