A democracia é mais que um método de escolha frente a um programa político predefinido por elites políticas e econômicas, ela é, também, um valor político que implica o respeito à diferença e garantia da divergência política…

E esse valor político que está em perigo diante do monopólio dos meios de comunicação e a ingerência empresarial nas eleições que caracterizam a vida política brasileira e que impedem o debate aberto e plural sobre problemas e dilemas da democracia brasileira… Há um monólogo político que apenas seleciona e recorta, conforme seus interesses políticos, sem nenhum espaço para o contraditório e a reflexão crítica.

Colocar esse valor político em cheque em nome de polarização política orquestrada, do ressentimento político-partidário e do “messianismo jurídico” significa dar um passo atrás na consolidação da cultura democrática brasileira reatualizando a nossa cultura autoritária, personalista e hierárquica, que faz do conflito e da controvérsia uma anomalia política que precisa deslocada, suprimida ou eliminada.

Nessa perspectiva, violar a democracia (formal e substantiva), proclamada em 1988, traduz-se num golpe político não nos grupos político-partidários que lutam para se manter no poder, mas na cidadania, ou seja, no direito de divergir, de se organizar livremente e de ter liberdade de expressão, ou seja, a possibilidade da existência da divergência, do conflito.

Anuir à violação da Ordem Constitucional e dos direitos políticos e sociais sobre o pretexto da limpeza moral e política, situação que marca a história das populações marginalizadas do país e dos seus espaços, é ser convivente com outras possíveis futuras atrocidades jurídicas e políticas, inclusive o impedimento da publicação de textos como esse, que sequestrem direitos individuais e liberdades democráticas. Hoje, os petistas. Amanhã, quem? Professores, comunistas, anarquistas, "gayzistas"…

“Todo apoio irrestrito às investigações da Lava Jato, guardadas e respeitadas todas as prerrogativas constitucionais, republicanas e democráticas!”

Igor Vitorino da Silva