Meus amigos e minhas amigas,

O lixo da hipocrisia sempre teve sua reciclagem nas lixeiras dos movimentos, ditos, de defesa dos pobres e necessitados, da negritude, da igualdade social e dos quilombolas. Esses mesmos "movimentos", no entanto, nunca ousaram confrontar os principais propagadores das mazelas e crimes contra os "excluídos", dos quais se apresentam como defensores: os partidos políticos e seus caciques.

Os movimentos negros sempre apoiaram os principais caciques políticos brasileiros emprestando a bandeira da Causa Negra e da Causa Quilombola como se fossem meras ferramentas de barganha. E a contrapartida para a raça? Nenhuma! Para os cabos eleitoreiros uma salinha num canto qualquer com nefastas insígnias de movimento negros desse ou daquele partido. Sem verbas para coisa alguma, sem propostas, sem programas e sem honra.

Em visita recente à Brasília, acompanhei uma amiga por alguns gabinetes de deputados, ditos ligados à Causa Negra. Não vi nenhum negro ou negra transitando por seus gabinetes. Segunda minha amiga, que é branca: "Negro nos gabinetes de deputados e senadores em Brasília é raro, até no servir cafezinho".

Em época de eleição emerge das latrinas mercadológicas um punhado de negros apoiando esse ou aquele candidato, que "tem um compromisso de alma com a negritude". São verdadeiros miquinhos amestrados barganhando a Causa Negra e a Causa Quilombola em troca de cargo público nas "Secretarias da Igualdade Racial" ou do "Conselho de Defesa do Negro". Órgãos que só existem para abrigar os vendilhões da raça como paga pela negociata de Causas tão nobres, sérias e legítimas, mas que em suas mãos viram meras mercadorias de barganhas. 

Há uma deputada branca, aqui do Rio de Janeiro, que aparece em todas as ações populares da negritude. Ergue a bandeira de "defesa da raça", frequenta os cultos de matrizes africanas, samba, desfila nos blocos de afoxés e pratica algumas pirotecnias politiqueiras em nome da negritude. Sua tropa de choque de negros e negras mais parece uma milícia. Mas só na rua e nos palanques eleitoreiros. Quem der uma passadinha em seu gabinete vai suar a camisa e não vai encontrar nenhum cidadão ou cidadã negra ocupando cargo legislativo. 

Essas e outras aberrações chegaram ao cúmulo da afronta. No Tocantins, a presidente do PSDB Afro é uma loira; em Duque de Caxias/RJ, o presidente do Conselho de defesa do Negro é branquíssimo.  Nunca se brincou tanto com a seriedade da Causa Negra. Nunca se viu tantos atos explícitos de racismo no país como se vê agora. Estamos sendo subjugados pela nossa própria inércia. Estamos perdendo a luta para nós mesmos.

A "bandeira de luta" desfraldada pelos movimentos negros – são milhares – tem sempre as mesmas questões, e não tem respostas: debate disso, debate daquilo; ações afirmativas que dão em nada; fórum, encontros, simpósios, congressos; falácia tipo "lamentamos muito o ocorrido nesse caso de racismo"; e outras frase de efeitos para aplausos dos que zombam da raça e das suas injustiças sociais.

Os ditos líderes negros fomentam o racismo em grande escala ao se unirem aos partidos políticos, que nenhuma bandeira tem para a Igualdade racial e para Causa Negra. No programa de Governo do cínico e incompetente governador Luis Fernando Pezão, do Rio, existe proposta para erradicação da homofobia no Estado. Tudo bem. 

É justo e legítimo. Mas não existe uma linha sequer citando a erradicação do racismo. A Causa Homossexual ou qualquer outra Causa é mais importante ou merece mais atenção que a Causa Negra?

No Governo Pezão existe um lixo chamado CEDINE, Conselho Estadual do Direito do Negro, que só mostra serviço quando é para defender Sérgio Cabral e Pezão acusados de práticas de genocídio contra a juventude e a população negras. O menino Ruan, a dona de casa Célia, o servente Amarildo, a jovem estudante Joyce, o casal de aposentados, e muitas outras e outros inocentes, todas negras, são algumas dessas vítimas que hoje apenas compõem estatísticas.

Procurem nos programas de governos dos outros Estados e tentem encontrar propostas verdadeiras, efetivas, legítimas e de resultados para o combate ao racismo. Quando se encontra são linhas tímidas e de cunho politiqueiro de resultado algum para a negritude.

A proliferação carnavalizada dos milhares de siglas de movimentos, entidades, órgãos, autarquias e por ai afora, que se dizem negras, de defesa dos negros e da igualdade racial representam uma afronta sem precedentes para a negritude brasileira. Não fazem, e nem permitem que anônimos tentem fazer algo de positivo e efetivo pela Causa Negra. É um "negócio financeiro" que eles administram e gerenciam. E não admitem críticas. São movidos pela prepotência, arrogância e ganância. Ganância sobre as mazelas e os crimes cometidos contra a própria raça da qual pertencem e dizem defender.

Somos 57% da população, mas somos a grande minoria em direitos e igualdade. E não há uma luz no fim do túnel para nossos anseios, desejos e direitos legítimos.

Não enquanto houver essa mesma turminha, que há três décadas usurpa a Causa Negra e a Causa Quilombola transformando-as em um hediondo balcão de negócios escusos, políticos e gananciosos.

Abraços a todos (as).

Flávio Leandro

 

Flávio Leandro