Meus Amigos e minhas Amigas.

As estatísticas apontam um crescimento – já nesses primeiros três messes de 2015 – de 26% no número de ocorrências de casos de racismo no Brasil. As delegacias de polícia nos estados estão cheias de registros de denuncias envolvendo injúrias e ofensas raciais. Em 2014, foram registradas 7 mil denúncias no Disque-Racismo. De janeiro a março deste ano, foram mais de 2,1 mil. Ou seja, aproximadamente 700 por mês.  

Segundo a página do site Rede Brasil Atual, a ascensão social de negros e mestiços é a principal causa do aumento dos índices de racismo no país. "Pessoas negras enfrentam discriminação e preconceito em ambientes antes frequentados apenas por brancos como shoppings, universidades e aeroportos", afirma o portal. Mas não é bem isso que fatos diários têm mostrado.

No dia 21 de Abril, em Niterói, RJ, os noticiários televisivos exibiram um flagrante de racismo captado por celulares de anônimos. O entregador, negro, Sérgio Luis Souza, de 42 anos, quando levava mercadorias para outra loja, foi abordado por um vizinho do comércio. Ele parou o triciclo que usa para fazer entregas numa calçada, em frente a um prédio, no Centro de Niterói. Logo apareceu o síndico reclamando e o ofendendo-o de "crioulo e negro safado". O vídeo com as ofensas ganhou também as páginas sociais.

O entregador, com medo de represália – e mesmo orientado por um representante de OAB – preferiu não registrar queixa contra o agressor racista que, inclusive, portava uma tornozeleira eletrônica devido a complicações com a justiça.

Caso como o desse entregador é recorrente. Muitas das vítimas de racismo não apresentam queixas ou por temor ao agressor racista ou mesmo para evitar constrangimentos com a papagaiada e o circo que é armado pela turminha do movimento negro, que transforma uma Causa tão séria em ganha-pão e dividendos políticos.

As denúncias relacionadas aos centros de compras lideram nos 25 casos acompanhados pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, CEERT, desde janeiro e evidenciam que o preconceito ocorre em função da cor da pele e não da classe social. “Em muitos casos, quando a pessoa é pobre, ela não consegue identificar direito se está sofrendo preconceito por ser negra ou por ser pobre e, muitas vezes, acaba relacionando tudo à pobreza, Mas, quando estas pessoas conseguem melhorar sua situação financeira, percebem que não é mais por causa da pobreza que são discriminadas”, afirma Daniel Teixeira, advogado e coordenador de projetos da CEERT.

Contrapondo as estatísticas e as publicações, a página do Blog do Saraiva já vaticina no dia 20 de Novembro de 2012: "Não é ascensão social negra que aumenta o racismo, ela só desnuda o discurso falacioso de que não somos racistas".

A verdade é que o racismo "está na moda"mas não é por causa da ascensão social do negro ou "da situação cultural do país", como afirmam alguns. Os grandes responsáveis são os milhares movimentos negros que, desde a década de oitenta, tem usado a Causa Negra de forma indevida e demagógica. Situações em que bastava a Lei ter sido acionada transformaram-se em verdadeiros circos e espetáculos pirotécnicos com objetivos pessoais e políticos.

Hoje, assistimos frustrados e indignados casos de racismos contra cidadãs e cidadãos negros tornarem-se recorrentes – e quase que uma rotina – e os discursos serem sempre os mesmos e dos mesmos grupos: ultrapassados e retrógrados.

O caso do entregador de Niterói põe por terra a tese de que o racismo é crescente devido a ascensão social da negritude. Há de se falar também que esse fato – caso seja verdadeiro – não seria argumento para se justificar o racismo. O negro é discriminado por ser negro, esse é o fato. Essa é a luta em que devemos nos empenhar e combater incessantemente.

Está mais do que na hora de reescrevermos as lutas pela igualdade racial e o combate incansável ao racismo em nosso país. Sem partido políticos, sem religiosidade, sem diversidade sexual, sem ideologias doutrinárias, sem questão de gêneros e sem orçamentos com verbas captadas das três esferas governamentais. Somente com nossos próprios esforços e vontade de lutar.

Chega de sermos estatísticas e de sermos perdedores.

Vamos honrar o legado de Manoel Congo, Luiza Mahim, Maria Felipa, Chico da Matilda, Solano Trindade, Zélia Gonzales e do Zózimo Bulbul.

Abraços a todos (as).

Flávio Leandro

 

 

Flávio Leandro