Rio – O gerente da loja da BMW da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, expulsou o filho do casal Ronald Munk e Priscilla Celeste da loja, um garoto negro de 7 anos, na tarde de sábado, dia 12 deste mês, utilizando as seguintes expressões, de acordo com relato de ambos. “Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar para você. Saia da loja. Eles pedem dinheiro e incomodam os clientes”. O caso foi tornado público só nesta quarta-feira (23/01) porque o casal decidiu não deixar passar em branco a atitude de conotação racista do responsável pela loja e diante da insistência dos responsáveis pela BMW para quem "tudo não passou de um mal-entendido".

Priscilla e o marido, o consultor Ronald, haviam ido a loja com a criança interessados na compra de um automóvel novo para a família. Enquanto conversavam a respeito dos carros, foram surpreendidos pela atitude do gerente de vendas, ao ver o garoto se aproximar. Ambos são brancos e contaram que não foi essa a primeira vez que passaram por situação semelhante.

“Imediatamente peguei meu filho pela mão e saí da loja. Somos clientes da concessionária há anos. Inclusive temos um vendedor que sempre nos atende. Esperamos dias por uma retratação, não tomamos nenhuma atitude imediata e não acionamos a polícia para preservar nosso filho”, acrescentou.

Cena se repete

Segundo Ronaldo, as situações discriminatórias ocorrem desde que o filho foi adotado aos dois anos de idade. “Cheguei a perguntar o motivo daquela reação. Quando eu afirmei que aquela criança negra era o nosso filho, ele ficou completamente sem ação, gaguejou e pediu desculpas. Sem entender nada, nosso filho chegou a questionar por que não aceitavam crianças naquela loja já que havia uma televisão passando desenhos animados”, diz o consultor.

O BMW Group divulgou Nota em que pede desculpas ao casal. Na nota da assessoria de imprensa, divulgada nesta quarta-feira (23)  o BMW Group informou que tomou conhecimento do fato em e-mail enviado por Ronald e Priscilla, em janeiro deste ano.

Sete dias após o incidente na loja, em e-mail com o assunto “desculpas”, um representante da Autokraft afirma ter tomado ciência do ocorrido e justifica que o gerente da loja “entendeu que o casal não estava acompanhado por qualquer pessoa, incluindo a criança. E já que ela estava absolutamente desacompanhada na loja, o funcionário teria alertado o garoto que ele não poderia ali permanecer e que tudo não passou de um mal-entendido”. O e-mail termina com a seguinte mensagem: “Tenho imenso prazer em tê-lo sempre como cliente amigo”.

Racismo é crime

O termo “mal-entendido" provocou a indignação do casal que decidiu criar, no último domingo, dia 20/01, a página no Facebook “Preconceito racial não é mal-entendido”.

A intenção, segundo eles, é reunir histórias de discriminação e alertar as pessoas para que não aceitem desculpas e explicações descabidas. A página teve 1,2 mil acessos em três dias.

“Compartilhamos a página só com amigos. Agora já tem um monte de gente contando histórias muito parecidas com a nossa. Preconceito racial é crime. As pessoas têm que tomar conhecimento disso e não se calarem”, concluiu Priscilla.

Foto: Domingos Peixoto/O Globo

Da Redacao