Porto Alegre/RS – Acontece nesta segunda-feira( 07/03), por teleconferência marcada para às 12h, a primeira reunião entre a direção do Grupo BIG e advogados de defesa da família do garoto J.M.O.R., de 12 anos, tomado por suspeito do roubo de mercadorias e expulso de uma loja, em Porto Alegre. A família da criança não participará da teleconferência e será representada pelo advogado Onir Araújo.

Onir é também o advogado da Frente Quilombola/RS e do Coletivo Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos, formado pela SOEUAFROBRASILEIRA e pelo Coletivo Advogados pela Democracia (COADE), para atuar na Justiça em busca de reparação por dano moral coletivo, em casos de racismo e discriminação.

Na pauta da reunião, a possibilidade de um acordo extrajudicial. Logo depois do episódio, ocorrido no dia 02 de fevereiro numa loja da Avenida Sertório, e que ganhou repercussão na mídia gaúcha e nacional, a empresa fez insistentes contatos pedindo desculpas e acenando com a possibilidade de acordo.

Desde o ano passado, o BIG pertence ao Carrefour, responsável por recorrentes casos de racismo e discriminação em suas lojas, inclusive, pelo que alcançou maior repercussão no Brasil e no mundo: o espancamento até a morte por seguranças do soldador João Alberto Silveira Freitas, na loja do bairro Passo D’Areia, também em Porto Alegre.

O BIG foi comprado pela unidade local da gigante francesa de varejo, por cerca de R$ 7,5 bilhões (US$ 1,36 bilhão de dólares). O processo de compra está sendo finalizado com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – autarquia que regula o setor – o que tem sido usado pelo Carrefour, por meio da empresa responsável pelo seu marketing e Relações Públicas, para se isentar de responsabilidades no episódio.

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/02/23/policia-investiga-abordagem-a-menino-negro-expulso-de-supermercado-em-porto-alegre-enquanto-fazia-compras.ghtml

O advogado Onir Araújo não quis falar sobre valores de uma possível indenização extra-judicial, mas considerou positiva a sinalização que a empresa dá ao se abrir ao diálogo. Acrescentou, porém, que a busca de reparação pelo constrangimento e pela humilhação sofrida pelo menino e família, tanto pode se dar por meio de um acordo extrajudicial, quanto com a entrada de ações na Justiça para reparação do dano moral individual e dano moral coletivo.

INQUÉRITO POLICIAL

Na semana passada, foram ouvidos, o gerente, segurança e o pai do garoto, Tarciso Rosa. Na próxima semana, o menino também será ouvido. A Polícia quer  ter acesso às imagens das 65 câmeras instaladas na loja. Até o momento a empresa, só forneceu duas imagens – as que foram distribuídas a todas as redes de TV e circulam nas redes sociais. Nessas imagens é possível ver o garoto deixando a loja, mas não aparece a abordagem agressiva seguida da expulsão da criança pela segurança de prenome Kátia.

O menino, que vive com a família no Quilombo dos Machado, foi a loja com uma lista de compras pra casa e o cartão de crédito da mãe. Levava uma mochila nas costas porque foi autorizado por outro segurança a entrar, mas mesmo assim, foi expulso por suspeito de que pretendia furtar mercadorias. “A senhora não quer que eu passe no caixa para a senhora ver que eu não vou roubar nada?”, ainda tentou argumentar. Nada adiantou. Segundo informou o gerente da loja ao pai da criança, a segurança teria sido demitida com justa causa.