S. Paulo – O caso de racismo ocorrido na semana passada em frente a loja da grife Animale, da Oscar Freire, zona nobre dos Jardins, envolvendo um garoto negro de oito anos expulso da calçada, terá como resposta um ato de protesto convocado para este sábado (11/04), a partir das 14h.

A manifestação, que os organizadores estão chamando de “Marcha Negra” e “Presença Afro – Ocupa Oscar Freire” está sendo convocada por ativistas independentes do movimento negro paulista e, segundo Camila Félix de Oliveira, uma das organizadoras, deverá percorrer outros trechos da rua onde estão situadas lojas luxuosas e marcas de grife.

Alerta

Ela disse que o ato deverá servir de alerta para que episódios desse tipo não se repitam: “Será uma marcha de atuação pacífica da comunidade negra paulistana em repúdio ao caso de racismo em frente a loja, entre outras manifestações de igual teor frequentes nos estabelecimentos comerciais da região”, afirma Camila, que é filha do jornalista Antonio Lúcio, um dos mais importantes jornalistas negros do país.

Convocada pelas redes sociais até esta terça-feira (07/04), mais de mil pessoas haviam confirmado presença. “Esperamos que o ato se torne exemplo de pressão popular para uma modificação ética e para frear os casos frequentes de racismo”, acrescenta Camila.

Lembrando o caso

O episódio ocorreu no dia 28 de março passado, um sábado, quando o garoto negro, de oito anos, filho adotivo de Jonathan Duran, cidadão americano branco que vive há 19 anos no Brasil, foi expulso de frente da loja por uma funcionária. “Ele não pode vender coisas aqui”, disse uma vendedora em tom ríspido ao expulsar o menino da calçada em frente a loja. Segundo contou Duran, que estava acompanhado de sua mulher, a brasileira Ednilce.

O norte-americano do Estado da Luisiana, que é editor no mercado financeiro, ainda se diz chocado com a atitude da vendedora da Animale. “Falei para a vendedora que ele era meu filho. Ela percebeu que tinha feito besteira e entrou na loja e eu fui embora. No meio do caminho fui entendendo o que tinha acontecido e decidir voltar na loja e falar com ela [vendedora]. Ficamos de pé dentro da loja e ela nos ignorou. Fui embora ainda sem saber o que pensar. Nunca tínhamos passado por isso, mas infelizmente, eu sabia que era uma questão de tempo, porque sei que isso [preconceito]acontece o tempo todo , mas quando acontece com a gente é um choque maior”, contou, ao explicar ao Portal R7 porque decidiu tornar o caso público.

Segundo ele, uma das motivações para divulgar o caso na sua rede social e de não ficar calado é porque nessas situações a desculpa é sempre a mesma. “É sempre um mal-entendido. Desta vez ele não percebeu o que aconteceu. Mas pesa muito no coração de pai ter que discutir questões raciais com o filho. Hoje eu estava ao lado dele para protegê-lo, mas ele vai crescer e estar sozinho quando esses “mal-entendidos” acontecerem”, explicou na mesma entrevista.

A direção da grife, em Nota divulgada por meio por meio de sua assessoria de imprensa, informou ter entrado em contato com Duran, que "o caso está sendo apurado internamente, e que repudia qualquer ato de discriminação".

 

Da Redacao