S. Paulo – O caso do funcionário da USP, Januário Alves de Santana, lembra o de um outro Santana – o dentista Flávio (foto), suspeito por ser negro e assassinado aos 28 anos, no dia 03 de fevereiro de 2004, quando voltava do Aeroporto de Guarulhos, onde tinha ido levar sua namorada, a suíça Anita Joos, que embarcava de volta para seu país.
Flávio, recém formado em Odontologia, guiava o seu carro – um Gol -, quando, em Santana, foi interpelado por cinco policiais militares do 5º Batalhão da Polícia Militar (Jaçanã), suspeito de um assalto a um comerciante no mesmo horário. Filho de um policial aposentado da PM, Jonas – Sant’Ana – o dentista foi morto com dois tiros.
Ao vê-lo morto, o comerciante confessou que não se tratava do mesmo homem que o tinha assaltado.
Condenados
Os policiais envolvidos – o tenente Carlos Alberto de Souza, o cabo Ricardo Arce Rivera, os soldados Luciano José Dias, Ivanildo Soares da Cruz, Deives Júnior e Magno de Almeida Morais e Edson Assunção foram levados à julgamento pelo Tribunal do Júri. Este último teria ameaçado o comerciante caso insistisse em declarar que o morto não era o ladrão. Os policiais forjaram a versão de que o asassinato tinha sido comertido por ter Flávio reagido com arma de fogo.
No julgamento ocorrido em 2005, os policiais militares mais diretamente envolvidos no crime – o tenente Carlos Alberto de Souza e soldado Luciano José Dias foram condenados por 17 anos e meio de prisão por homicídio duplamente qualificado, fraude processual e porte ilegal de armas. O cabo Ricardo Arce Rivera foi condenado por fraude processual e porte ilegal de armas a sete anos e meio.

Da Redacao