S.Paulo – A União Geral dos Trabalhadores (UGT), a terceira maior central sindical brasileira, decidiu assumir a defesa dos presos políticos – na sua maioria negros – que lutam pela democracia e direitos humanos em Cuba. Desde o ano passado, pelo menos um deles morreu em greve de fome – Orlando Tamayo Zapata – e outro – o jornalista Guilhermo Fariñas – permanece há 24 dias sem se alimentar.
O presidente da Central, Ricardo Patah, que também preside o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, divulgou nesta segunda-feira (05/04) Nota Pública em que denuncia “as arbitrariedades cometidas contra os dissidentes políticos do regime cubano”, e faz um apelo aos seus dirigentes para que “brindem o mundo com o exemplo de tolerância e respeito aos direitos fundamentais do homem, libertando seus prisioneiros de opinião”.
“Nenhum ideal político justifica a violência contra os que dele divergem”, afirma Patah na Nota intitulada “A História pune quem chega tarde”.
Ato de Protesto
Ao mesmo tempo em que divulgou Nota, a UGT marcou um ato público de protesto que acontecerá nesta quarta-feira, às 9h30, em frente ao Consulado cubano em S. Paulo, à Rua Cardoso de Almeida, 2.115, Perdizes. O ato, de acordo com o sindicalista, também servirá para que os comerciários e as categorias de trabalhadores filiados ou não à Central, manifestem a solidariedade às “Damas de Branco”, como ficaram conhecidas as mães e irmãos dos prisioneiros políticos em greve.
Morte e mal-estar
O caso dos prisioneiros de consciência do regime cubano passou a ter repercussão em todo o mundo, depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, morto no mês passado, depois de 85 dias de greve de fome.
A morte de Tamayo coincidiu precisamente com o dia da visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba, onde se encontrou com Fidel e com o presidente Raul Castro, seu irmão. Lula também vem sendo criticado por que – diante de um drama humanitário – reagiu com indiferença prerindo a amizade com o regime cubano, e chegou a comparar os presos de consciência, que fazem greve, aos presos comuns do sistema penitenciário no Brasil.
Cuba tem uma população negra percentualmente semelhante a do Brasil: cerca de 50,6% da população é afrodescendente. As denúncias de intolerância no trato da questão racial também são freqüentes, conforme tem denunciado o professor cubano Carlos Moore, que vive exilado na Bahia, acusado pelo regime de subversão racial.
Embargo
Ao mesmo tempo em que condena a repressão política aos presos de consciência, a Central Sindical faz a defesa do “fim do criminoso embargo econômico imposto pelos Estados Unidos”, e condena a manutenção da prisão de Guantánamo. Segundo a UGT, tais violações configuram um desrespeito aos direitos fundamentais da dignidade humana e a soberança cubana”.
O título da Nota lembra a frase dita pelo então líder soviético Mickhail Gorbachov e ao líder da antiga Alemanha Oriental, Erich Honecker, que resistia a implantar a “perestroika e a glasnot” – as políticas de abertura do regime na Alemanha”. A frase foi dita no dia 07 de outubro de 1.989, na reunião fechada entre os dois líderes, antes dos desfiles em Berlin para as comemorações do 40º aniversário da República Democrática alemã. No mês seguinte, novembro de 1.989, cairia o “Muro de Berlim”, com a derrocada da União Soviética, da própria Alemanha e de todos os países de sua órbita.
Leia, na íntetra, a Nota “A História pune quem chega tarde”.
A União Geral dos Trabalhadores (UGT), conforme sua Declaração de Princípios, compreende a democracia como um valor universal bem como os direitos humanos em sua universalidade, indivisibilidade, interdependência e inter-relação.
Tal posição permite-nos afirmar que diante dos recentes acontecimentos em Cuba – da repressão às passeatas das Damas de Branco, mulheres e mães de prsos políticos cubamos, à morte de Orlando Zapata Tamayo após 85 dias de greve de fome – nenhum ideal política justifica a violência contra os que dele divergem.
A história recente do mundo demonstra inequivocamente que os povos não aceitam mais nenhum tipo de prática autoritária e persecutória; pelo contrário, são crescentes as aspirações por mais democracia, liberdade e direitos humanos. Qualquer regime que teme a opinião de seus cidadãos não é um regime forte, mais fraco. É preciso aprender a convier com as diferenças e avançar com as maiorias respeitando o direito das minorias.
Ao manifestar-se contra a arbitrariedades cometidas contra os dissidentes políticos do regime cubano, criticamos a equivocada posição da diplomacia brasileira que, contrariando a tradição do Itamaraty, omitiu-se vergonhosamente diante dos acontecimentos. Com esta posição, a UGT está em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humaos e afirma que não é mais possível silenciar diante da violência de Estados contra seus críticos.
A reafirmar seu compromisso com a democracia, a liberade e o respeito aos dieritos humanos, a UGT apela aos dirigentes cubanos (herdeiros de uma revolução que ao por fim a ditadura sanguinária e entreguista de Fulgêncio Batista embalou os sonhos eesperanças de várias gerações) para que brindem o mundo com o exemplo de tolerância e respeito aos direitos fundamentais do homem, libertando seus prisioneiros de opinião. E, de imediato, livrar a própria Revolução Cubana, do peso terrível de mais uma morte, a do jornalista Guillermo Fariñas, em greve de fome pela liberdade, sua e de todos os presos políticos em Cuba.
Ao mesmo tempo defendemos também o fim do criminoso embargo econômico imposto pelos Estados Unidos aquele país, embargo esse que, além de desrespeitar as normas básicas do Direito Internacional, também prejudica todo o povo cubano, configurando-se também um atentado aos princípios básicos dos direitos humanos.
Condenamos também a manutenção da prisão de Guantánamo (estabelecimento localizado em território cubano e mantido pelo governo americano para detenção de prisioneiros sem julgamento e em condições degradantes), em clara afrontação à soberania cubana e também aos direitos fundamentais da dignidade humana.
Queremos sim, uma sociedade democrática, livre, justa, igualitária, solidária e progressista para o Brasil e para o mundo. E, por isso, prezamos os princípios democráticos que aprendemos a valorizar em todas as lutas contra as ditaduras em todas as nações.
S. Paulo, 07 de Abril de 2.010
União Geral dos Trabalhadores (UGT)

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