Salvador – O Secretário Nacional da Diversidade Humana da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Magno Lavigne (foto), manifestou a satisfação da central sindical pelo acordo extrajudicial firmado pelo Carrefour com o vigilante da Universidade de S. Paulo (USP), Januário Alves de Santana, vítima de espancamentos por seguranças nas dependências de uma loja do hipermercado em Osasco, em agosto do ano passado. Pelo acordo, a empresa pagou indenização à Januário – em valores não revelados – à título de indenização por danos morais.
“O acordo, satisfatório para as partes, demonstra que o diálogo e a negociação pode ser também um caminho para se promover a reparação”, afirmou.
Em Nota, a Secretaria da Diversidade da UGT afirma que a postura adotada por Januário e pela empresa (ao se abrir ao diálogo e à negociação) “são exemplos da atitude que devem adotar daqui para a frente todos aqueles que são alvo de constrangimentos e humilhações provocadas pelo racismo e pela cultura discriminatória; e de outro lado, para as empresas que tem responsabilidade social e devem adotar atitudes concretas para superar a cultura discriminatória, seja promovendo as reparações, seja adotando ações e programas para capacitar seus funcionários e na promoção de uma cultura de valorização da diversidade”.
Segundo Lavigne, a central sindical – que tem forte presença no Comércio uma vez que seu presidente Ricardo Patah, é presidente do poderoso Sindicato dos Comerciários de S. Paulo – continuará acompanhando os desdobramentos do caso na esfera policial para que seja feita completa justiça.
Reparação
Por sua vez, a chefe da Coordenação de Políticas da População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça do Estado, professora Roseli de Oliveira, ressaltou o caráter da reparação civil concretizada com o acordo. “Estamos tendo a oportunidade de ver a reparação civil daqueles que de forma desavisada ainda não haviam se convencido que a população negra e indígena está ávida por Justiça e que seus direitos deverão, serão e estão sendo concedidos por respeito à dignidade da pessoa humana. Não é pieguismo, nem benevolência, é simplesmente o pleno exercício da cidadania”, afirmou, em carta enviada ao advogado de Januário, Dojival Vieira, em que elogia a sua atuação no caso.
Questionado por Afropress sobre as negociações e o acordo, o advogado destacou. “O Carrefour adotou todas as providências necessárias para a apuração dos fatos, bem como tomou a iniciativa de compensar Januário e seus familiares, em condições por eles consideradas plenamente satisfatórias”.
Roseli também lembrou “o papel da família especialmente da esposa e familiares do seu Januário, pois as dores, a mágoa, os processos psíquicos, físicos e emocionais são amparados por mitos, mas zelados, minimizados por aqueles que fazem parte do universo íntimo, de cada ser violado em sua integridade”. “Parabenizo a todos os envolvidos neste caso, pelo continuo exercício de resistência”, finalizou.

Da Redacao