Mas eu não condeno a utilização da genética na discussão étnico-racial (eu mesmo tenho utilizado sempre que necessário), a questão é PARA QUE …
A meu ver a Genética serve para :
1 – Dizer aos “brancos” brasileiros que salvo raras exceções…, eles não são tão “brancos” quanto imaginam…, logo… , (ainda que fossem mesmo típicos “europeus”), deveriam refletir melhor sobre seu racismo introjetado.
2 – Mostrar aos “mestiços ideológicos” (aqueles que politicamente não querem assumir as identidades estigmatizadas de negro ou indígena, bem como a luta política de forma consolidada)que não existem raças, logo não pode haver “mistura” do que não existe, apenas ancestralidade geográfica diversa, mas sem esquecer a questão da “marca” e da construção social, que é o que sobressai.
3 – Demonstrar que a propalada miscigenação brasileira, é de fato majoritariamente resultado de um processo secular de uso e abuso das
mulheres negras / índias e de alta bastardização…, não uma “romântica” característica dos brasileiros.
4 – Acabar de vez com qualquer “pretensão supremacista” dos mais ortodoxos racistas.
E pronto…, o restante da tematica é basicamente sócio-antropológica.
Hoje é um retrocesso ficar “biologizando” a discussão, tirando indiretamente a questão do fenótipo e das prevalências e especificidades em saúde da população negra, a biologia não tem nada a ver com a discussão, nenhum negro da pesquisa BBC está “menos negro” por causa dela…
Mas seria interessante uma pesquisa similar com brancos famosos… duas coisas aconteceriam :
1- Ficaria “comprovado” que existe mesmo um minoria branca endogâmica e onde ela está… , bem diferente “do resto”.
2 – Alguns “ícones” de branquitude brazuca perderiam a pose….

Juarez C. da Silva Jr.