S. Paulo – A escritora Maria Aparecida da Silva, Cidinha, será a nova chefe da representação da Fundação Cultural Palmares, em S. Paulo, em substituição ao jornalista Nuno Coelho. A nomeação deverá ser tornada pública nos próximos dias com a publicação do nome no Diário Oficial da União.

Afropress apurou que o novo presidente da Palmares, o produtor cultural, diretor e ator, Hilton Cobra, o Cobrinha, esteve em S. Paulo nesta segunda-feira (08/04), e teria se reunido com Cidinha e Coelho para formalizar a decisão.

Com a nomeação da escritora foi preterido o nome do jornalista e sacerdote Walmir Damasceno, o Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi, que vinha sendo apoiado em manifestos entregues a ministra da Cultura, Marta Suplicy, por lideranças das religiões de matriz africana e pelos deputados Paulo Teixeira e Vicente Cândido, ambos da bancada do PT paulista.

Damasceno chegou a ser convidado para o cargo pelo ex-presidente Elói Ferreira de Araújo pouco antes de ser exonerado da presidência da Fundação no mês passado.

A escritora começou sua militância no movimento negro como ativista da ONG Geledés, que tem como principal dirigente a filósofa Sueli Carneiro. Posteriormente criou o Instituto Kwanza e, mais recentemente, se reaproximou da Geledés, passando a figurar entre os colunistas da página mantida pela ONG na Internet.

Seus artigos, postados em vários sites e blogs, inclusive no seu próprio, também são replicados por Afropress, desde 23 de janeiro deste ano quando passou a integrar o time de colunistas.

Tanto Carneiro, quanto Cidinha são muito ligadas a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, sobre quem Cobrinha, o presidente da Palmares, na primeira declaração após ter tido seu nome anunciado disse o seguinte: “Se sou um homem preto hoje é graças a Luiza Bairros”. A indicação do nome de Cidinha teria sido feito pela Geledés.

Escritora

Recentemente, Cidinha, em um dos seus artigos semanais para a Afropress, saiu em defesa de Bairros por causa de críticas a gestão da ministra. “Existem pessoas que gritam pelos direitos do povo negro, que negociam para garantir-lhe a vida, posto que a vida dos negros está ainda sendo negociada, não é um direito humano consolidado. Essa luta e essas articulações, como sabido, não merecem as luzes da ribalta, e mesmo no BBR só aparecerão porque o departamento de comunicação da SEPPIR cumpre seu papel. Há outras pessoas, entretanto, que esperneiam tal qual adolescentes irresponsáveis e autoritários, quando o pai os castiga por dirigirem sem carteira. Gente que não tem diligência para dirigir, promover e projetar o próprio galinheiro, mas quer cantar de galo quando maneja um microfone de sonorização amadora”. A escritora não explicou a quem suas críticas foram dirigidas.

Carreira literária

Cidinha da Silva se classifica como prosadora. Tem dois livros de histórias curtas publicados pela Mazza Edições; “Cada Tridente em seu Lugar" (2007, 3ª edição) e “Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor!” (2008). Também é autora da novela juvenil, “Os nove pentes d’África”.

Ela é também uma das 100 autoras e autores negros, cuja obra foi analisada na coletânia “Literatura e Afrodescendência: antologia crítica” (org. Eduardo Assis, Editora UFMG, 2001) e tem textos em processo de adaptação para o cinema. O texto “Sangoma: saúde às mulheres negras”, foi contemplado na 20ª edição do “Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de s. Paulo” (edição 2011), a ser encenado pela Cia. Capulanas de Arte Negra.

Da Redacao