Belém – Sete índios assassinados, de seis etnias diferentes, três conflitos de terra, três ameaças de morte e quatro casos de estupro a crianças e adolescentes, bem como casos de racismo e de negligência à saúde. Esses são os principais crimes contra os povos indígenas do Pará e Amapá, entre 2003 e 2005.
A denúncia é do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – Regional Norte II – que divulgou Relatório “A Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil”, com cópias ao Ministério da Justiça e à Fundação Nacional do Índio (Funai), com pedido de providências urgentes.
O Relatório foi elaborado por quarenta missionários do Cimi a partir de depoimentos coletados em aldeias de 27 etnias nos dois estados. Eles ouviram as próprias vítimas, membros das comunidades atingidas, organizações indígenas e cotejaram matérias publicadas nos jornais e nos registros policiais.
Os sete assassinatos registrados ocorreram entre 2003 a 2004. Os autores são brancos. Dos três conflitos de terra, dois ocorreram na aldeia Baú, em Novo Progresso, e um em Caluaia, Altamira, na região do Xingu, sudoeste do Pará. O relatório atribui os conflitos na aldeia Baú à ‘atitude irresponsável do governo federal’, acusado de suspender a demarcação das terras indígenas e dar posse de 300 mil hectares que pertencem aos índios a fazendeiros da região. ‘Isso é resultado da atual política indígena do governo Lula, que tem compromisso apenas com as elites, desprezando os índios’, acusa Claudemir Monteiro, coordenador regional do Cimi.
Os três casos de ameaça de morte também foram registrados entre 2003 e 2004, contra índios Tembé e Amanaê, que vivem no nordeste paraense. Os quatro casos de estupros envolveram crianças e adolescentes Mundurucu, em Itaituba e Jacareacanga, na região oeste do Pará.
Racismo
O exemplo mais notório de racismo, ressaltado no relatório, é o do ex-presidente da Câmara Federal Severino Cavalcante (PPB), que renunciou ao mandato para fugir à cassação por causa de seu envolvimento na cobrança de propina para a exploração do serviço de restaurantes na Câmara, em Brasília. Ao visitar o Pará em maio do ano passado, Severino chamou os índios de preguiçosos e gananciosos, ecoando a acusação preconceituosa de grileiros contra as nações indígenas, por causa da demarcação de suas terras. ‘Também é grande o número de políticos do interior do Pará e do Amapá que utilizam a luta contra os interesses dos indígenas para conseguir votos durante as eleições, mesmo sabendo que essas terras já foram demarcadas e homologadas pelo governo federal’, destacou Claudemir Monteiro.
O arcebispo metropolitano de Belém, Dom Orani João Tempesta, informou que o relatório do Cimi objetiva reduzir a violência contra os indígenas no Brasil. “A população precisa tomar consciência da importância do índio e cobrar providências do governo para acabar com esta situação. E a igreja sempre estará presente nas ações em favor dos povos indígenas, fazendo denúncias e ajudando a proporcionar a eles saúde e educação. No ano que vem o tema da Campanha da Fraternidade será a Amazônia, quando vamos tratar de diversas questões como a biodiversidade, a água, os problemas fundiários, assim como a violência e o preconceito contra os índio”, advertiu.

Da Redacao