Rio – O cineasta carioca Flávio Leandro voltou a cobrar da ministra chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, socióloga Luiza Bairros, explicações sobre o que ele chama de omissão da SEPPIR em relação aos temas de interesse da população negra brasileira.

Em abril passado, Leandro, que garante não pertencer a qualquer partido político, associação, instituto ou entidade, mas agir "apenas como um cidadão negro da Baixada Fluminense" enviou a primeira carta a Bairros, indignado com a ausência de políticas dos Governos e com a falta de ação do Poder Público e de respostas as demandas da população negra. A carta não teve resposta e, posteriormente, ele denunciou ter tido o seu acesso a correspondência da SEPPIR bloqueado.

Exclusão

Segundo o cineasta, os mais recentes episódios de exclusão de negros ocorreram na Copa do mundo, em que tanto na abertura quanto no encerramento, artistas negros foram excluídos e os que participaram “eram meros figurantes”. “O mais insensato e percebido, inclusive, pela imprensa internacional, foi a total ausência de negros nas arquibancadas”, afirmou.

Ele lembrou artigo publicado pelo jornalista brasileiro Felipe Araújo, no jornal britânico The Guardian, destacando a ausência de negros na torcida do Brasil nesta Copa. "O jornalista destaca que, no jogo Alemanha x Gana, em Fortaleza, os únicos negros nas arquibancadas eram os torcedores africanos. As crianças negras brasileiras ficaram do lado de fora do estádio, tentando ganhar dinheiro dando carona para os torcedores em suas bicicletas. Mesmo com as equipes africanas, as crianças que acompanhavam os atletas na entrada do gramado eram na sua grande maioria formada por crianças brancas", lembra.

“Como cidadão negro brasileiro dirijo-me pela segunda vez a sua excelentíssima pessoa – a minha primeira missiva foi totalmente ignorada pela senhora – para saber de forma objetiva e sincera, qual realmente é a função da SEPPIR em pról da igualdade racial. Esse meu questionamento está embasado nas evidências claras e reais de que a existência SEPPIR em nada amenizou a discriminação, o preconceito e a segregação que pesa sobre nós, negros e negras brasileiros”, afirma o cineasta.

Silêncio

Para o cineasta o silêncio da Secretaria, que no âmbito do Governo Federal, tem o papel de encaminhar as demandas da população negra brasileira “ou a SEPPIR não toma conhecimento dessas mazelas ou sua existência se constitui num cala a boca dado a minoria negra, tendo a senhora como gestora, como álibi da elite branca para mascarar as exclusões e o genocídio cometidos".

O cineasta termina por fazer uma pergunta a ministra: ”Se imprensa internacional, artistas, cineastas e toda uma Nação perceberam todo esse disparate contra a população negra brasileira, a senhora não acha que a SEPPIR deveria, também, manifestar-se e mostrar a população brasileira, independente de raça, cor, escolha sexual ou religião por que existe e para que veio? Ou vamos vai continuar fazendo de contas? concluiu.

Da Redacao