A Mostra pretende refletir sobre estereótipos relacionados as identidades negra e indígena no Brasil, exibindo um conjunto de filmes que buscam representações alternativas do negro e do índio.
Segundo o estudante de Ciências Sociais, Luis Felipe Kojima Hirano e o cineasta Noel dos Santos Carvalho, idealizadores da Mostra, na cinematografia brasileira, negros e índios são antes de tudo sinônimo de raça, cultura popular, povo e identidade nacional, ao invés de uma diversidade de indivíduos complexos com indagações, peculiaridades individuais e culturais.
“Neste momento de profundos questionamentos despertados pelo debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial, estes filmes podem abrir um prisma de perspectivas críticas para a reflexão sobre identidades étnicas, o lugar do negro e do índio no discurso cinematográfico e, por extensão, a própria identidade nacional”, afirmam.
Durante a Mostra serão exibidos, em sessões às 16h e 19h, longas-metragens como “Filhas do Vento”, do cineasta Joel Zito Araújo, ganhador do Festival de Gramado de 2.005, “Cruz e Souza – o Poeta do Desterro”, de Silvio Back, e “Quase Dois irmãos” de Lúcia Murat. Entre os curtas serão exibidos “O Moleque” e “O Rito de Ismael Ivo”, de Ari Cândido Fernandes, além de “Carolina” de Jéferson De e “Mato eles?” de Sérgio Bianchi.
Nesta terça-feira, 31/10, às 19h, haverá debate sobre a represetnação do negro e do índio no cinema brasileiro, com as presenças da antropóloga Lilia Shuwarcz, do sociólogo Paulo Menezes e do cineasta-sociólogo Noel dos Santos Carvalho. O debate e a Mostra acontecem na Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia – favo 4 – na Cidade Universitária. A entrada é franca.
Veja a programação completa
FILHAS DO VENTO
Brasil, 2005, 85’, 35mm
Direção: Joel Zito Araújo
É uma historia de amores, mágoas, ressentimentos e redenção entre
quatro mulheres negras. Uma história universal, capaz de ser
partilhada por qualquer mãe, irmã ou filha, de qualquer ponto do
planeta, não fosse pelo fantasma que ronda suas vidas, o racismo
“sutil” gerado pelo passado escravocrata brasileiro, que também
precisa ser definitivamente sepultado. É este fantasma que cria o
cenário peculiar, acentuando o sofrimento e a dificuldade de saída
para estas mulheres.
CRUZ E SOUSA
O POETA DO DESTERRO

Brasil, 1999, 86’, 35mm
Direção: Silvio Back
Reinvenção da vida-obra e morte do poeta Cruz e Sousa: das arrebatadoras
paixões do poeta em Florianópolis (SC) ao seu emparedamento
social, racial e intelectual e trágico fim no Rio de Janeiro.
KIARÃSÃ YÕ SÃTY
O AMENDOIM DA CUTIA

Brasil, 2006, 51’, DVD
Direção: Komoi e Paturi Panara
O cotidiano da aldeia Panará na colheita do amendoim, apresentado
por um jovem professor, uma mulher pajé e o chefe da aldeia. Filme do programa Vídeo nas Aldeias que é desenvolvido por Vincent Carrelli.
COMPASSO DE ESPERA
Brasil, 1973, 98’, 35mm
(legendas em inglês)
Direção: Antunes Filho
Jorge, poeta, é amante de Ema, diretora de uma agência de publicidade.
Numa reunião literária, ele conhece Cristina, branca de família
aristocrática. Quando voltam a se encontrar são surpreendidos
por Ema, que provoca o afastamento de Cristina. Angustiado, Jorge
procura sua família e é repreendido por abandonar sua origem humilde.
Refugia-se com Cristina numa praia, onde são humilhados,
com revolta e desaprovação pela diferença racial. Também a família
de Cristina faz pressão sobre a jovem, que resolve partir. Jorge
se vê perdido numa sociedade na qual não consegue inserir-se.
QUASE DOIS IRMÃOS
Brasil, 2004, 102’, 35mm
Direção: Lúcia Murat
Da mesma forma como os políticos, assaltantes de bancos também
estavam submetidos à Lei de Segurança Nacional. Ambos cumpriam
pena na mesma galeria. Através de dois personagens, Miguel, um
jovem intelectual de classe média preso político na Ilha Grande, e
hoje deputado federal, e Jorge, filho de um sambista que de pequenos
assaltos se transformou num dos líderes do Comando Vermelho,
o filme tem como pano de fundo a história política do Brasil
nos últimos 50 anos, contada também através da música popular,
o ponto de ligação entre esses dois mundos. Hoje, começa um novo
ciclo: Miguel tem uma filha adolescente, que fascinada pelas favelas
e pela transgressão, se envolve com um jovem traficante.
O MOLEQUE
Brasil, 2004, 13’, DVD
Direção: Ari Cândido Fernandes
Tião é um menino negro, pobre e filho da melhor lavadeira da região
onde mora. Só tem um amigo de pescaria, Pedrinho. Só uma coisa
o chateia: os chistes que os meninos do vilarejo fazem com ele, por
causa da cor de sua pele.
O RITO DE ISMAEL IVO
Brasil, 2003, 12’, DVD
Direção: Ari Cândido Fernandes
A vida do bailarino negro Ismael Ivo, suas performances, depoimentos
sobre a dança e as dificuldades sociais para quem vem de
classe social mais pobre e supera obstáculos em sua profissão, até
ficar famoso em todo o mundo.
O CATEDRÁTICO DO SAMBA
Brasil, 1999, 24’, 16mm
Direção: Noel Carvalho, Alessandro Gamo
“Câmera-olho” malandreia pela cidade e encontra o sambista, cantor
e compositor Germano Mathias. Uma parte importante da cultura
popular paulista emerge enquanto o cinema samba o sincopado.
CAROLINA
Brasil, 2003, 14’, 35mm
Direção: Jeferson De
Carolina Maria de Jesus. Seu diário da favela é um sucesso em
1960. Apesar do reconhecimento, morreu esquecida e pobre.
MATO ELES?
Brasil, 1982, 34’, 16mm
(legendas em inglês)
Direção: Sergio Bianchi
Uma reflexão do cineasta diante do processo de extermínio dos
índios da Reserva Mangueirinha, no Paraná. Como escreveu Jean-
Claude Bernardet, “a ironia ácida de Mato -Eles? nos impede mesmo
da segurança da comiseração”.
DEBATE
31/10, após a exibição de O Rito de Ismael Ivo
PALESTRANTES
Lilia Katri Moritz Schwarcz
Professora Titular do Departamento de Antropologia da USP.
Linhas de pesquisa
Teoria, método e história da Antropologia
Antropologia das populações afro-brasileiras e africanas
Áreas de atuação
Antropologia e História; Relações raciais entre negros e brancos.
Principais trabalhos publicados
O espetáculo das raças. Cientistas, instituições e pensamento racial
no Brasil: 1870-1930. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.
As barbas do Imperador: D. Pedro II um monarca nos trópicos. São
Paulo, Companhia das Letras, 1998.
Paulo Roberto Arruda de Menezes
Professor Doutor do Departamento de Sociologia da USP
Linhas de pesquisa
Sociologia visual, sociologia do cinema, sociologia da arte e sociologia do cinema documental.
Áreas de atuação
Sociologia do cinema, sociologia da arte.
Principais trabalhos publicados
Representificação: as relações (im)possíveis entre cinema documental
e conhecimento. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São
Paulo, v. 18, n. 51, p. 87-97, 2003
Blow Up – Imagens e Miragens. Revista Tempo Social, São Paulo, v.
12, n. 2, p. 15-35, 2000
CONVIDADO
Noel dos Santos Carvalho
Bacharel em ciências sociais (USP), mestre em multimeios (UNICAMP)
e doutor em sociologia (USP). É professor de cinema e vídeo
documental. Dirigiu os documentários O catedrático do samba
(1998) e Novos quilombos de Zumbi (2002). Atualmente realiza pesquisas
em que relaciona representação racial, identidade étnica e
produção audiovisual.
MEDIADOR
Luis Felipe Kojima Hirano
Graduando em Ciências Sociais. Atualmente, desenvolve a iniciação
científica intitulada Cinema em Negro e Branco: as relações raciais
nos filmes da Atlântida, sob orientação de Lilia Moritz Schwarcz.