No momento em que o Brasil atinge o assustador número de 300 mil vítimas fatais da Covid 19, assistimos o patético governo de Jair Bolsonaro insistir no mesmo discurso negacionista que irresponsavelmente ceifou tantas vidas em nosso país. Portanto, nada mais é tão importante neste momento que pressionar o governo a instituir uma política de vacinação de toda a população brasileira o mais rápido possível.
Dito isto, a real política nos impele a pensar o cenário político eleitoral para 2022, onde Lula ressurge como grande nome após a suspeição de Moro e ao seu extraordinário discurso após a suspensão das sentenças que o condenavam por uma série de crimes não cometidos.
Constatado o lawfare, o uso de mecanismos jurídicos para a perseguição política, temos nesse momento um rearranjo político necessário visando a tão sonhada unidade das esquerdas para um retorno triunfal ao Planalto, bem como a a correção do grave acidente histórico que levou à eleição de Bolsonaro e de seus adeptos em estados e municípios.
Muito o Ciro tem falado do PT nos últimos dois anos e muito o PT tem feito à figura do Ciro desde as últimas eleições. Haddad, há pouco tempo, cometeu a insensatez de colocar Ciro no campo da direita e, em resposta, Ciro começou a flertar com a centro direita.
Já, no entanto, duas coisas que não funcionam na real política, a mágoa e a falta de bom senso.
Lula e Ciro são inegavelmente os dois nomes mais fortes hoje no campo da oposição a esta necro direita representada por Bolsonaro. É preciso, portanto que esses dois nomes, capazes de grandes construtores de pontes e interlocuções políticas, possam dialogar entre si em nome do bem comum e da construção de uma unidade de esquerda que possa sepultar de vez a necro política e levar as esquerdas a uma unidade que não seja constituída nem no cárcere e muito menos de acordo com os humores eleitorais.
Sem dúvida o Plano de Desenvolvimento Nacional proposto por Ciro é o melhor programa posto à mesa nesses últimos anos e Lula tem a vasta experiência de ter exercido por duas vezes a presidência além da histórica trajetória de vida que o coloca entre os grandes operadores políticos da história do país.
Sendo assim, a ordem dos fatores tende a não alterar o produto uma vez que o acordo político pressuponha a adoção de um eixo programático que una todo o campo da esquerda sem mágoas, sem ressentimentos e sem egos inflamados de ambos os lados.
Esta é a proposta.
AUTOR:
Marcio Alexandre
Coordenador do Coletivo Fortalecer
Editor do jornal Questões Negras online
Colunista de Afropress