Rio – O jornalista Miro Nunes, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro (COJIRA-RIO), enviou carta a direção da Revista Isto É, protestando pela publicação da entrevista com o cientista político norte-americano Charles Murray, em que o mesmo afirma que os negros brasileiros tem QI inferior ao dos brancos por causa da miscigenação. A entrevista concedida aos jornalistas Rodrigo Cardoso e Daniela Mendes foi postada na página da Revista na Internet no início deste mês.
Murray é o autor do polêmico livro The bell curve, intelligence and class structure in american life (A curva do sino, inteligência e estrutura de classe na vida americana), em que procura dá base científica as suas teorias racistas.
Racismo
“Fica evidente de que lado da ponte de onde este cientista político fala e a ausência de um contraponto, devido à gravidade de sua principal observação (daí o destaque da chamada para a entrevista) evidencia, para ser elegante, um equívoco no planejamento de apuração desta matéria. Nesta edição veiculada só um fala (Murray), mesmo com as contradições explícitas ao se confrontar a primeira parte da entrevista com a segunda. Ele afirma uma coisa e mais adiante flexibiliza, reforçando o que qualquer aplicado(a) universitário(a) sabe: que o desenvolvimento da inteligência é influenciado por N fatores, mas não determinada isoladamente o destino de um indivíduo ou de um grupo. Portanto, mesmo do campo de onde ele fala há variações, que abalam o pretenso rigor matemático por ele advogado”, afirma Nunes.
O jornalista, que é membro da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial, ligada à Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), cobrou da direção da Revista o princípio clássico do jornalismo de “ouvir o outro lado”. “Certamente dentro e fora das academias estadunidense e brasileira há os que se contrapõem ao senhor Charles Murray. Vamos ouví-los, especialmente a representação política organizada (Movimento Negro) da comunidade atingida pelos (pre)conceitos deste cientista político”, acrescentou.

Da Redacao