A Editora Selo Negro nos brinda com mais um mapa das trilhas de inimagináveis possibilidades de pesquisas envolvendo um Brasil que sistematicamente é negada a visibilidade. Pois é. Trata-se do livro Religiões Negras no Brasil: Da abolição à pós-emancipação a ser lançado em novembro, mês da Consciência Negra. Os pedidos para futura aquisição podem ser feitos virtualmente por meio da página eletrônica da editora.

http://www.gruposummus.com.br/selonegro/livro/1457/Religi%C3%B5es+negras+no+Brasil

O livro é uma coletânea de artigos organizados por Valéria Gomes e Flávio Gomes. Os autores, intelectuais pesquisadores que se debruçam para desnudar as entrelinhas dos não-ditos da sociedade brasileira. São vinte autores nesta caminhada, são eles: Adriano Bernardo Moraes Lima, Cristiana Tramonte, Flávio Gomes, Gabriela dos Reis Sampaio, João Amaro Monteiro, João José Reis, Juliana Barreto Farias, Lisa Earl Castillo, Luis Nicolau Parés, Luiz Alberto Couceiro, Luiz Mott, Maria da Vitória Barbosa Lima, Mundicarmo Ferretti, Nilma Teixeira Accioli, Paulo Roberto Staudt Moreira, Petrônio Domingues, Robson P. Costa, Sergio F. Ferretti, Ulisses Neves Rafael eValéria Gomes Costa. 

O que ocorre na historiografia brasileira é que ainda são poucos os estudos que revelem em detalhe as práticas cotidianas, de invenção da cultura – também aquela material –, cobrindo todo o Brasil rural e urbano da escravidão e pós-emancipação.

O que acontecia no interior das senzalas, nas matas circunvizinhas das fazendas ou nos becos, casebres e zungus (como eram chamadas as moradas dos africanos e crioulos nas cidades)? Muita coisa a ser redescoberta, descrita e analisada. Entre os séculos XVII e XIX, as experiências religiosas, sobretudo as de origem africana, foram reinventadas e modificadas permanentemente em diversos espaços.

Nesta coletânea, os organizadores reuniram pesquisas inéditas sobre as formações religiosas negras em cidades coloniais e pós-coloniais do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Sergipe, Maranhão, Alagoas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Das devassas em torno dos calundus ao sincretismo com o catolicismo de monges beneditinos; da perseguição do Tribunal de Inquisição às santas africanas; do medo da feitiçaria à união entre religião e política; das batidas policiais que reprimiam e perseguiam as casas de dar fortuna, os cangerês e o candomblé às influências africanas sobre festas religiosas católicas.

Assim, este livro mostra que, ao longo do tempo, experiências religiosas se inventaram e renovaram-se, perdendo e ganhando sentidos, significados e símbolos. Em meio à intolerância – inclusive racial, social e cultural –, encontramos disputas pela memória, pela origem e pelos mercados da crença.

Enfim, mais atual, impossível. Vale a pena conferir novas formas de se investigar e caminhar por novas trilhas ainda (re)construção.

Livro: RELIGIÕES NEGRAS NO BRASIL: Da abolição à pós-emancipação

Organizadores: Valéria Gomes e Flávio Gomes

Editora: Selo Negro

Lançamento: Novembro

Site:http://www.gruposummus.com.br/selonegro/livro/1457/Religi%C3%B5es+negras+no+Brasil

 

Sandra Martins