S. Paulo – A população negra colombiana, estimada em 11% do total de 44 milhões, começa a se organizar para enfrentar o racismo, que mantém a maioria em situação de desvantagem nos indicadores. Por iniciativa do Centro de Investigações Sócio-jurídicas da Universidade dos Andes, em colaboração com o Processo de Comunidades Negras (PCN) e o Centro de Estudos de Direito, Justiça e Sociedade (Dejusticia) foi criado em maio passado o Observatório de Discriminação Racial.
Para conhecer a realidade da população negra brasileira, o Observatório mandou ao Brasil, a pesquisadora Laura Rico Gutiérrez de Piñeres, que entrevistou lideranças da Geledés – Organização das Mulheres Negras e o jornalista Dojival Vieira, presidente da ONG ABC SEM RACISMO e editor de Afropress.
O Observatório é um espaço de investigação e discussão para documentar as práticas de racismo e desenvolver ações contra elas. Para isso, trabalha com organizações e comunidades afrodescendentes de seis cidades: Bogotá, Buenaventura, Cali, Cartagena, Medellín e Tumaco.
Atualmente, 76% dos afrocolombianos vive em condições de extrema pobreza e 42% está desempregado. Só dois em cada 100 jovens afrodescendentes chegam à Universidade e o número de crianças negras que morrem antes dos três anos supera três vezes.
Segundo Laura Rico, a viagem ao Brasil, onde esteve também no Rio de Janeiro, serviu para recolher experiências da situação estrutural do racismo brasileiro e aprender com as experiências das entidades e organizações que lutam pela igualdade racial.
Na conversa com Dojival, o jornalista passou os dados que revelam a desvantagem da população negra brasileira e falou dos projetos da ABC sem Racismo, em especial da Afropress.

Da Redacao