Nova York – Eufórico com a vitória de Barack Obama, o brasileiro Edson Cadette, 47 anos, colunista de Afropress e ativista que exerce funções administrativas no Sindicato de trabalhadores em prédios de edifícios de Nova York, o 32 BJ, analisa os efeitos do resultado das eleições americanas no mundo. “Vou poder contar aos meus netos que contribuí para a eleição do primeiro negro à presidência dos EUA”, falou, por volta das 10h30 desta sexta-feira (07/11) de sua casa, em Nova York.
Cadette, que já havia participado da campanha nas primárias de Philadélfia, integrando uma caravana de ativistas do seu sindicato, no dia da eleição estava em Ohio, fazendo campanha. Paulistano da Zona Leste, ele trabalhava como agente de viagens no aeroporto de Congonhas, até mudar para os EUA, onde vive há 18 anos, para tentar a sorte. Veja, na íntegra seu relato e análise.
Sim Podemos, Sim Podemos!
Cleveland, Ohio – Estou aqui naquilo que os norte americanos costumam chamar de “Belly of the Beast” (Nas Entranhas Da Besta-Fera). Foram quase 12 horas de viagem. Posso até afirmar que o conforto durante o trajeto esteve aquém do esperado. Entretanto, não gostaria de estar em nenhum outro lugar do planeta que não fosse aqui em Cleveland. Fiz parte de um batalhão de voluntários de vários sindicatos localizados em varias partes do país que vieram ate Ohio (Leste) para participar desta eleição histórica, e também darem sua modesta ajuda a eleger Barack Obama como presidente.
Batendo de porta em porta em busca de votos, eu mais parecia como um velho vendedor ambulante que costumava bater a porta de minha casa na década dos anos 70 para vender suas cortinas e outros acessórios domésticos de sua Kombi. Mas como eu poderia ficar fora desta que certamente será a experiência política mais positiva na minha existência? Por séculos os negros escravos lutaram contra as correntes amarradas aos seus corpos até serem emancipados fisicamente. Porém, a luta agora é diferente. O negro hoje em dia, apesar dos avanços, ainda luta contra as correntes mentais que o mantém preso a certo complexo de inferioridade e a baixa expectativa de sucesso.
Barack Obama, de origem humilde, quebrou todos os estereótipos a respeito da inferioridade do negro ao redor do mundo. É claro que não é o primeiro. Entretanto, sua vitória como presidente da nação mais poderosa do planeta onde o problema racial ainda é muito forte, dissipa de uma vez por todas esta noção racista. Todos aqueles que morreram neste país nas lutas pela igualdade de tratamento, de oportunidades, de justiça e de dignidade estão celebrando. Graças a eles Obama pode chegar ao mais alto cargo executivo deste país.
Assim como seu ídolo, Abraham Lincoln, do Estado do Illinois,que foi presidente durante o momento que é considerado por muitos, um divisor de águas nos EUA, ou seja, a guerra civil norte-americana e o final da escravidão, Obama tem à sua frente uma enorme quantidade de problemas sociais, econômicos, duas guerras (Iraque e Afeganistão) e desafios internacionais em um mundo totalmente globalizado que, certamente, será um teste singular.
Assim como os EUA deram um voto de confiança ao jovem senador de apenas 47 anos, o mundo também parece oferecer não somente um voto de confiança, mas também de esperança. Os EUA que, neste últimos oito anos, alienaram o mundo de uma tal maneira com sua arrogância, poderio bélico e desrespeito a normas e tratados internacionais, terão na administração Obama uma enorme oportunidade de voltar a ser aquilo que sempre foram, ou seja, uma luz de esperança, sonhos e um ponto de referência positiva para o mundo.
Quando escreverem o capítulo da história mundial sobre as eleições norte americanas de 04 de novembro de 2.008, poderei dizer aos meus netos que eu contribuí para a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.

Da Redacao