Queens, Nova York – O Senado norte-americano confirmou no dia 7 de Abril passado, a juíza Ketanji Brown Jackson para a mais alta corte judicial do país, a Corte Suprema.

A escolha da juíza Ketangi, acontece 54 anos após o assassinato do ativista e prêmio Nobel da paz, o pastor Martin Luther King, jr., e 6 anos após o mandato de Barack Obama, o primeiro presidente negro.

Os Estados Unidos mostraram uma vez mais ao mundo que sua sociedade não é estática, mas sim um ser vivo com amplo espaço para mudanças.

A composição da Corte Suprema terá pela primeira vez, entre os nove juízes dois afro-americanos: Clarence Thomas, um juíz com um viés mais conservador, e agora Ketanji Brown Jackson, com uma visão mais liberal na interpretação da Constituição.

Nos seus mais de 230 anos de existência, somente dois juízes negros participaram da composição da Côrte.

O primeiro deles foi o lendário Thurgood Marshall, que defendeu a desagregação nas escolas públicas no processo conhecido como “Brown vs. Board Of Education” de 1954.

O processo histórico que colocou fim na separação por raça nas escolas públicas e o jurista Clarence Thomas que o substituiu no início dos anos 90.

Desde o início do processo para a confirmação da juíza Ketanji Jackson Brown, os senadores republicanos tentaram macular a imagem da juíza como uma extremista radical e liberal da esquerda que protegia criminosos.

Seus apoiadores logicamente afirmavam que esta acusações eram completamente distorcidas e em muitos casos claramente racistas.

Sua confirmação é edificante não somente para a comunidade afro-americana, mas também para todo o país.

Em 1857, oito anos antes do final da guerra civil (1861-1865) e da escravidão, o presidente da Corte Suprema, o juíz Roger Toney, declarou que um afro-americano não possuía qualquer direito que um homem branco pudesse respeitar.

A juíza Ketanji Brown Jackson, cujos pais frequentaram escolas segregadas, possui dois diplomas da universidade mais prestigiosa do país, a universidade Harvard.

Aos 51 anos irá substituir o juíz Stephen Breyer que se aposentará no verão deste ano. “Mesmo durante a escuridão, há luzes brilhando”, disse o senador por Nova York, o senhor Chuck Shumer, lider majoritário democrata no Senado. “Hoje é um dia de muita luz. Vamos esperar que seja um metáfora, e uma indicação de muitos dias de luzes por vir”, acrescentou o senador após a votação.

As galerias do Congresso, que permaneceram fechadas na maior parte do tempo nestes dois últimos anos, por causa da pandemia estavam lotadas com apoiadores para testemunhar este momento histórico.

A câmara explodiu de alegria com senadores, funcionários e visitantes, todos pulando seguidos de uma enorme saudação em pé quando a confirmação foi anunciada.

“Depois de semanas de ataques  misóginos e racistas de embrulhar o estômago, a gente não pode esperar para finalmente chamá-la de juíza Jackson da Corte Suprema”, disse o presidente da organização mais antiga na luta pelos direitos civis dos negros, a NAACP (Associação Nacional Para O Avanço Das Pessoas De Cor), o senhor Derrick Johnson, descrevendo o momento como uma enorme consequência para a nossa nação e para a história.

Numa época de alta polarização política na América, três senadores republicanos não tiveram medo de colocarem seus votos a favor da confirmação de Ketanji Brown Jackson. Foram eles: Susan Collins senadora por Maine, Lisa Murkowiski, senadora por Alaska e Mitt Romney, senador por Utah.

A confirmação da juíza Jackson foi uma grande conquista do atual presidente Joe Biden que havia prometido durante  sua campanha para presidente em 2020 que nomearia uma mulher negra para a Corte Suprema se a oportunidade surgisse.

Como ex-defensora pública, a juíza Jackson é o principal exemplo da ênfase que a atual administração tem colocado não somente em expandir a diversidade pessoal da Corte Suprema, mas o profissional também.

Ela será a primeira defensora  pública a sentar-se na mais alta Côrte de Justiça do país.