S. Paulo – Membros do movimento negro chapa branca e ligado ao PT e ao PCdoB, partidos da base do Governo, estão lançando um movimento, a partir de S. Paulo, a que denominam Convergência Negra para a defesa de Dilma e de que o ex-presidente Lula não seja investigado dos crimes apontados pela Força Tarefa da Operação Lava Jato.

O movimento, segundo apurou Afropress, é liderado pelo historiador Edson França, coordenador da UNEGRO e membro do Comitê Central do PCdoB, por Flávio Jorge (foto 3), coordenador da CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras) e dirigente do PT e da Fundação Perseu Abramo, e por Douglas Belchior (foto 2), da UNEAFRO, uma dissidência da Educafro, filiado ao PSOL e candidato a vereador nas eleições deste ano.

Segundo Reginaldo Bispo (foto 1), membro da OLPN (Organização para a Libertação do Povo Negro), a posição não reflete a maioria do movimento negro brasileiro que é independente e autônomo em relação ao Estado, a Governos e a partidos. "A violência policial e o extermínio de nossos jovens negros de 14 a 27 anos, a base de uma boate Kiss a cada dois , não sensibiliza Dilma, o Governo e o PT, bem como a maioria dos seus aliados nos Governos da Bahia e do Rio de Janeiro, Estados campeões na matança. O que o PT e o governo e os governistas, nos dizem a respeito? Calam-se. Notem que essa insensibilidade cresceu nos últimos 13 anos, especialmente nos últimos 05, por desinteresse, omissão e conluio dos governista e de gente nossa", afirma Bispo.

Governismo

Na convocatória lançada pelos governistas, os organizadores pedem sigilo, advertindo que o documento em que dizem combater a “tentativa golpista articulada pelos setores conservadores com apoio da mídia e por meio de ações de parte do Poder Judiciário”, só deve circular após a junção de todas as assinaturas.

O texto tem como título “Negras e Negros contra o retrocesso” e pretende reunir adesões e assinaturas bem como apoios de entidades, organizações, coletivos, grupos e personalidades negras, tais como intelectuais, artistas reconhecidos, esportistas, escritores, líderes religiosos e lideranças comunitárias”.

Embora não seja citado, a inspiração para o surgimento da Convergência Negra é parte da estratégia dos partidos de apoio ao governo após o discurso do ex-presidente Lula e do Partido, na última sexta-feira, depois de ser levado a depor na Polícia Federal  para que a militância tome às ruas.

O ex-presidente, segundo o Ministério Público Federal, é suspeito de ser o chefe da quadrilha que assaltou a Petrobrás, em parte presa pela Operação Lava Jato, e não explicou até o momento o caso do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia, que seriam de sua propriedade, e que foram reformados pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.

Para justificar a não investigação desse e de outros crimes apontados pela Operação Lava Jato, os organizadores alegam que o Governo estaria sofrendo uma tentativa de golpe desencadeada por setores conservadores.

Golpismo?

Sem fazer qualquer menção às gravíssimas acusações contra o ex-presidente e o Governo, acrescentam que "os setores que protagonizam esta tentativa golpista historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta do movimento negro e popular: Defendem a redução da maioridade penal; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar as perspectivas racial e de gênero dos planos de educação entre outros; 2 – Pressionam pela imposição de uma agenda neoliberal; pela entrega do pré-sal e do patrimônio nacional às empresas estrangeiras e o pleno atendimento das demandas do grande capital financeiro".

“Estes setores defendem o recrudescimento das políticas repressivas, da violência policial e do genocídio da população negra. Combatem as reivindicações das  das mulheres negras, a descriminalização do aborto, pregam o esvaziamento das poucas políticas públicas direcionadas às mulheres, notadamente as mulheres negras, tais como as trabalhadoras domésticas”, afirmam.

De forma discreta no final do texto, e para buscar ampliar o leque de apoios e assinaturas se dizem contra o impeachment da presidente “mas que é preciso uma mudança de rumo desse governo”.

“A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país. Somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nosso povo negro. Trazemos em nossa ancestralidade toda uma história de luta e resistência que estamos dispostos a honrar neste momento tão importante na história deste Brasil que é nosso e construímos com cada gota do nosso suor. A solução para a crise está na adesão às propostas históricas dos movimentos populares e do movimento negro.

Veja na íntegra a posição dos governistas e a declaração de Reginaldo Bispo.

NEGRAS E NEGROS CONTRA O RETROCESSO

Brasil, 8 de março de 2016

Neste dia histórico em que se comemora O Dia Internacional da Mulher e inspiradas nas histórias de centenas de mulheres negras na luta contra a Escravidão, na preservação das nossas religiões de matrizes africanas, na manutenção de nossa cultura E entre tantos elementos a mais, as Organizações Sociais que conformam o Movimento Negro Brasileiro, reunidas sob a égide da Convergência, vêm a público manifestar sua posição consensual contra a tentativa de golpe articulada pelos setores conservadores com apoio da mídia e por meio de ações de parte do Judiciário. Dessa forma, apresentamos os seguintes apontamentos: 1 – Os setores que protagonizam esta tentativa golpista historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta do movimento negro e popular: Defendem a redução da maioridade penal; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar as perspectivas racial e de gênero dos planos de educação entre outros; 2 – Pressionam pela imposição de uma agenda neoliberal; pela entrega do pré-sal e do patrimônio nacional às empresas estrangeiras e o pleno atendimento das demandas do grande capital financeiro; 3 – Estes setores defendem o recrudescimento das políticas repressivas, da violência policial e do genocídio da população negra; 4- Combatem as reivindicações das mulheres negras, a descriminalização do aborto, pregam o esvaziamento das poucas políticas públicas direcionadas às mulheres, notadamente as mulheres negras, tais como as trabalhadoras domésticas; 5 – Reconhecemos que os significativos avanços promovidos contra a miséria extrema, a fome, a inclusão de milhares de jovens negros e negras nas universidades além da implantação de políticas de promoção e igualdade racial, são, entre outros fatores, elementos que levam as elites brasileiras se unirem e atacarem o atual governo. 6 – O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes, sobretudo nos aspectos econômicos e em iniciativas tal qual a lei antiterrorismo. Somos contra o Impeachment da atual presidenta e não toleraremos qualquer tentativa de golpe à nossa frágil e insuficiente democracia. Mas é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país. O Movimento Negro brasileiro afirma uma agenda de enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação. Nós que atuamos na luta contra o racismo e as desigualdades étnico-raciais, temos a convicção que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático atingirá de forma mais grave o conjunto da população negra. Somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nosso povo negro. Trazemos em nossa ancestralidade toda uma história de luta e resistência que estamos dispostos a honrar neste momento tão importante na história deste Brasil que é nosso e construímos com cada gota do nosso suor. A solução para a crise está na adesão às propostas históricas dos movimentos populares e do movimento negro. EM FRENTE E PELA ESQUERDA. RETROCESSO NUNCA MAIS!

CONCLAMAMOS NEGRAS E NEGROS, A REFLETIREM: Quando nos conscientizaremos que estamos por nossa própria conta?

O povo negro e indígena agoniza sob o genocídio a mais de 500 anos.  Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Esta na hora do povo negro pensar sua autonomia, no seu próprio projeto Politico & ALTERNATIVAS. Os políticos, as oligarquias e a burguesia branca, com a qual [e para a qual] o atual governo administra, agora quer vê-los pelas costas. Mas historicamente, eles sempre avaliaram que não precisavam nos respeitar, porque sempre aceitamos as sobras da mesa. Se continuarmos nos sujeitar a isso jamais seremos respeitados, nem sequer considerados. por outro lado, ocupados gastando tempo e energia em defender projetos que não são os do nosso, mas contra nós, em troca de migalhas, vamos adiar de forma permanente e infinita, o dia em que teremos mais respeito por nós mesmos, e por projetos que não interessam ao povo negro. A violência policial e o extermínio de nossos jovens negros de 14 a 27 anos, a base de uma boate Kiss a cada dois , não sensibiliza Dilma, o governo e o PT, bem como a maioria dos seus aliados no governo da BA e do RJ, estados campeões na matança. O que o PT e o governo e os governistas, nos dizem a respeito. Calam-se; A Titulação de menos de 150 quilombos em 5.000, em 12 anos, também não os incomoda; A escalada do Racismo e do Racismo Religioso, parece que também não interessa; A implementação da lei 10.639 e fazer cumprir a lei do Racismo Inafiançável e imprescritível idem. Notem que essa insensibilidade cresceu nos últimos 13 anos, especialmente nos últimos 05, por desinteresse, omissão e conluio dos governista e de gente nossa. 

Estamos por nossa própria conta! 

Somos nós por nós mesmos! 

Reparações Históricas Já! 

Por um Projeto Politico do Povo Negro para o Brasil!

Reginaldo Bispo membro da OLPN

Da Redacao