S. Paulo – Com a eleição para a Prefeitura de S. Paulo praticamente definida (todas as pesquisas apontam vantagem do candidato do PT, Fernando Haddad, que variam entre dezessete e vinte pontos percentuais sobre o seu oponente, o tucano José Serra), começa a circular com força no PT o nome da ex-ministra Matilde Ribeiro (foto) para a Secretaria Municipal da Igualdade Racial (SMPir), cuja criação está prevista no Programa de Governo de Haddad.

Além da criação da Secretaria, o candidato do PT promete estabelecer responsabilidades na estrutura central nas subprefeituras "para garantir capilaridade das políticas e ações e fortalecer o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, com vistas a estimular a representação institucional das organizações que combatem o racismo na sociedade paulistana”.

A maior parte das lideranças negras que participam da campanha não admite que o nome de Matilde é ventilado; outras, porém, sob o compromisso do sigilo, afirmam que a ex-ministra "é um nome natural pela experiência e por ter sido a primeira ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial ligada à Presidência da República"; e ainda outros mais adiantam “que não teriam nenhuma ressalva, caso venha a ser indicada pelo novo prefeito”.

A ex-ministra deixou a SEPPIR, em fevereiro de 2008, abatida no caso do escândalo dos cartões corporativos, acusada de uso irregular do cartão durante viagens de trabalho, com diárias, aluguel de carros e hospedagem. À época, mesmo tendo tomado a decisão de exonerá-la, o então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, saiu em sua defesa: “Matilde sai do Governo sem ter cometido nenhum crime, não cometeu nenhum delito, teve apenas falhas administrativas. Faço minhas homenagens à companheira que continua sendo minha companheira intocável que sempre foi desde o tempo da militância dela em Santo André (SP)”, disse o presidente na ocasião.

Ligações com Lula

É exatamente a ligação com Lula e o fato de Haddad ter sido o candidato praticamente imposto pelo ex-presidente que faz com que todas as apostas convirjam para o nome da ex-ministra para ocupar o cargo. No primeiro semestre deste ano, depois de quatro anos em que se manteve afastada do cenário político, dedicada a retomar sua tese de doutorado na PUC, a ex-ministra, ao tentar retornar, foi derrotada numa disputa interna para dirigir a Coordenação de Combate ao Racismo do Partido.

Anteriormente, nas eleições de 2010, por indicação da direção estadual do PT, ela foi a 2ª suplente do então candidato ao Senado por S. Paulo, o apresentador e empresário e vereador do PC do B, Netinho de Paula, também derrotado.

Programa

O programa do candidato do PT é, segundo analistas, o que trata o tema da desigualdade racial com maior amplitude. Além da criação da Secretaria, prevê a elaboração de um Plano Municipal de Promoção da Igualdade racial para a cidade de S. Paulo, tendo como uma de suas principais ações a implementação do Estatuto da Igualdade Racial, instituído por meio da Lei 12.288/2010, e fortalecer o marco legal promovendo a implementação da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História e cultura africana e afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino médio e fundamental, públicos e privados, promovendo a formação para os profissionais de educação e produção e distribuição de material didático e paradidático.

Haddad também promete especial ênfase a educação indígena com a criação de um setor de educação indígena que deverá ser coordenado por indígenas das diferentes etnias. Existem, segundo levantamento da FUNAI, 22 grupos indígenas em S. Paulo, entre eles, 1,2 mil guaranis, na aldeia Tenondê Porã, em Parelheiros, a 70 quilômetros da Praça da Sé.

Da Redacao