Brasília – A Fundação Cultural Palmares, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), teve reduzido seu orçamento para custeio (manutenção de pessoal) de R$ 11 milhões para pouco mais de R$ 7 milhões este ano. Para fazer frente as dificuldades, o novo presidente, o produtor Hilton Cobra, o Cobrinha [José Hilton Santos Almeida] que havia se comprometido a ampliar o orçamento da autarquia quando assumiu, estuda fazer cortes na relação de pessoal.

A informação é de fonte da Palmares que adiantou que Cobrinha se reuniria com os funcionários nesta terça-feira (10/09) para informar sobre as dificuldades e anunciar possíveis cortes. A Afropress tentou ouvir o presidente da Palmares por meio de e-mail enviado a assessora de Comunicação Mara Karina Silva, porém, não teve retorno até o fechamento desta edição.

Orçamento

O orçamento da Palmares este ano está estimado em R$ 22 milhões. Na semana passada, o ex-presidente da autarquia, Zulu Araújo, lembrou que, tanto a Palmares quanto a SEPPIR – a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada a Presidência da República – tem os menores orçamentos da Esplanada.

“Todas as instâncias que trabalham no plano federal com políticas de ação afirmativa tiveram seus orçamentos reduzidos. Essas instituições são as que tem os menores orçamentos do orçamento público”, afirmou.

Sem citar nomes, Zulu criticou as gestões da SEPPIR e da Fundação Palmares que teriam adotado uma atitude conformista. “Por razões institucionais, elas não tem tido, no meu entendimento, a agressividade necessária para a disputa política dentro do Governo. E disputa política não é desrespeito nem é insubordinação, é fazer aquilo que foi acordado nas ruas quando do processo eleitoral”, afirmou.

Frustração

Cobrinha assumiu a presidência da Fundação Palmares em fevereiro deste ano, em substituição ao ex-ministro da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo, prometendo uma gestão dinâmica, aumentar o orçamento da autarquia e se abrir as demandas do movimento negro para viabilizar políticas de inclusão na área da cultura.

Depois de sete meses no cargo, no entanto, começa a ser criticado pelo estilo de “performer” cultural e de pouca preocupação com a o dia a dia e os problemas da gestão. Um exemplo dessa postura teria ocorrido na sessão solene na Câmara comemorativa aos 25 anos da Fundação, quando teria feito um discurso em que teria adotado "postura ostensiva de ator".

 

Da Redacao