A comunicação da retificação foi feita pelo promotor Ivan Francisco Pereira Agostinho, que atua junto a Corregedoria à procuradora Federal Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, que havia requerido essa providência. Uma nova certidão será emitida sem o quesito cor, que foi abolido do modelo de certidão em vigor. Porém, na certidão velha haverá a averbação (anotação) com a cor correta, do comandante da Aliança Libertadora Nacional, que morreu sob tortura e teve o seu corpo enterrado como indigente no Cemitério de Perus, em S. Paulo.
O Comandante “Crioulo”, como era conhecido terá seus restos mortais entregues à família em ato inter-religioso público marcado para o dia 1º de setembro, às 9h30 na Catedral da Sé. Depois seguirá para Recife, onde no domingo, dia 02, será enterrado junto ao túmulo da mãe.
Na semana que vem (22/08) às 14h30, na Procuradoria da República, na Rua Peixoto Gomide, haverá nova reunião convocada pela procuradora Eugênia e pelo procurador regional da República, Marlon Alberto Weichert, com a comissão de familiares de desaparecidos, e lideranças de entidades negras e da sociedade civil comprometidas com os direitos humanos. Na reunião serão discutidos detalhes do ato inter-religioso, no qual falarão representantes de todas as religiões.
Morto sob tortura no dia 13 de julho de 1.973, o dirigente da ALN, teve sua certidão de óbito adulterada pelo ex-médico legista Harry Chibata, que anotou na certidão, sua cor como “branca”. Shibata perdeu seus direitos de exercer a medicina por ter comprovadamente falsificado laudos de outros presos políticos mortos sob tortura, inclusive o do jornalista Wladmir Herzog.